Haiti: Conselho de Transição encerra mandato sob ameaça dos EUA e risco de golpe
© Laurent Saint-Cyr/Alix Didier Fils-Aimé/X
O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou seu mandato de dois anos neste sábado (7), em meio a tensões políticas e ameaças de intervenção dos Estados Unidos. A cerimônia de encerramento ocorreu em Porto Príncipe, onde o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, assegurou que o país não ficará em um vácuo de poder, com o Conselho de Ministros, liderado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, garantindo a continuidade do governo. Saint-Cyr afirmou deixar o cargo com a consciência tranquila, acreditando ter feito as escolhas mais justas para o Haiti, e destacou a importância da segurança, diálogo político, eleições e estabilidade.
O CPT assumiu o poder em abril de 2024, após a renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry, que estava no cargo desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021. Formado por conselheiros de diversos setores sociais, o CPT tinha como missão principal preparar o país para eleições gerais e retomar o controle de áreas dominadas por grupos armados, que chegaram a controlar extensas áreas de Porto Príncipe.
Recentemente, o CPT manifestou a intenção de destituir o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, nomeado pelo próprio conselho para conduzir o Executivo até as eleições previstas para outubro ou novembro deste ano. Essa ameaça de destituição provocou uma reação imediata dos Estados Unidos, que enviaram navios de guerra à Baía de Porto Príncipe em apoio à permanência de Fils-Aimé. A embaixada dos EUA no Haiti declarou que qualquer tentativa de alterar a composição do governo seria vista como uma ameaça à estabilidade regional e que “tomará as medidas adequadas em conformidade.”
Ricardo Seitenfus, especialista em Haiti e professor aposentado da UFSM, relatou à Agência Brasil que houve uma tentativa de golpe para remover Fils-Aimé do cargo antes do término do mandato do CPT. Segundo Seitenfus, a situação de segurança no Haiti tem apresentado melhoras, com o governo retomando o controle de territórios antes dominados por gangues. Ele enfatiza a urgência de realizar eleições o mais rápido possível, como um passo fundamental para a resolução dos problemas do país.
Desde o assassinato do presidente Moïse, o governo haitiano tem buscado parcerias para garantir a segurança necessária para a realização das eleições. Uma das medidas foi o acordo para o envio de uma missão internacional de policiais liderada pelo Quênia para auxiliar a Polícia Nacional do Haiti. Além disso, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação da Força Multinacional de Repressão a Gangues, ampliando a missão anterior liderada pelo Quênia, e o governo recorreu a mercenários estrangeiros para combater os grupos armados.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-02/haiti-conselho-de-transicao-encerra-mandato-apos-ameaca-dos-eua
