Endividamento das famílias brasileiras atinge novo recorde, impactando principalmente a baixa renda

Percentual de famílias com dívidas cresce, mas inadimplência cai

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O endividamento das famílias brasileiras atingiu o patamar mais alto já registrado, chegando a 79,5% em janeiro, igualando o recorde de outubro do ano passado. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Apesar do alto nível de endividamento, a inadimplência apresentou o terceiro mês consecutivo de queda, chegando a 29,3%. O endividamento é mais expressivo entre as famílias com renda de até três salários mínimos, atingindo 82,5% desse grupo. Em contrapartida, famílias com renda superior a dez salários mínimos apresentam um endividamento de 68,3%.

O cartão de crédito segue sendo a principal forma de endividamento, presente em 85,4% das famílias endividadas. O tempo médio para quitar as dívidas é de 7,2 meses, e a parcela da renda comprometida com dívidas é, em média, 29,7%. Uma em cada cinco famílias (19,5%) declara ter mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas.

A CNC ressalta que o endividamento em si não é necessariamente negativo, pois pode impulsionar o consumo e aquecer a economia. No entanto, a instituição alerta que a situação se torna preocupante quando há dificuldade em honrar os pagamentos, resultando em inadimplência. A pesquisa aponta que 12,7% das famílias afirmam não ter condições de quitar suas dívidas atrasadas.

Ainda segundo a CNC, os juros elevados dificultam a quitação das dívidas e pressionam o orçamento familiar. A taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, influencia as demais taxas do mercado, incluindo os juros ao consumidor.

A CNC projeta que o endividamento das famílias continue em alta no primeiro semestre, chegando a 80,4% em junho. Para a inadimplência, a estimativa é de redução para 28,9% no mesmo período, impulsionada pela esperada queda da taxa Selic, já sinalizada pelo Banco Central para março. O economista-chefe da CNC avalia que “A gente vem em um patamar [de juros] muito elevado, então vai levar um certo tempo para que esse desaperto monetário seja sentido também no mercado de crédito”, e completa, “Começando em março, provavelmente no início do terceiro trimestre, final do segundo trimestre, as famílias já devem se deparar com uma taxa de juros significativamente menor”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/percentual-de-familias-com-dividas-cresce-mas-inadimplencia-cai

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