Contas externas têm déficit de US$ 68,791 bilhões em 2025, diz BC
© Marcello Casal JrAgência Brasil
O Banco Central (BC) divulgou que as contas externas do Brasil fecharam 2025 com um déficit de US$ 68,791 bilhões, representando 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar de ser o maior déficit desde 2014, quando atingiu US$ 110,5 bilhões, o resultado é considerado similar ao do ano anterior, que foi de US$ 66,168 bilhões (3,03% do PIB).
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, ressaltou a robustez das transações correntes, que incluem a compra e venda de bens e serviços com outros países. Ele explicou que a tendência de aumento do déficit, observada até fevereiro de 2025 devido à expansão da demanda interna, se estabilizou e apresentou redução em dezembro.
Ainda segundo o Banco Central, o déficit externo foi financiado por investimentos de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país (IDP), que totalizaram US$ 77,676 bilhões em 2025. “Isso reafirma uma situação de contas externas bastante sólidas”, comentou Rocha.
Em 2025, a corrente comercial brasileira registrou um aumento, impulsionado por recordes tanto em exportações quanto em importações, evidenciando maior integração do país na economia global. Houve uma “ligeira redução” no superávit comercial, de US$ 5,9 bilhões. Esse resultado foi parcialmente compensado pela diminuição de US$ 2,2 bilhões no déficit em serviços e pelo aumento de US$ 1 bilhão no superávit de renda secundária.
As exportações de bens somaram US$ 350,899 bilhões em 2025, um crescimento de 3,2% em relação a 2024. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 290,947 bilhões, um aumento de 6,2% na comparação anual. A balança comercial fechou o ano com um superávit de US$ 59,952 bilhões, 8,9% menor que o saldo positivo de US$ 65,842 bilhões registrado em 2024.
O déficit na conta de serviços atingiu US$ 52,940 bilhões em 2025, uma queda de 4,1% em relação aos US$ 55,182 bilhões de 2024. A redução de US$ 5 bilhões nas despesas líquidas de serviços culturais pessoais e recreativos foi um dos destaques, influenciada pela nova legislação que obriga casas de apostas online a se tornarem empresas residentes no Brasil.
O déficit em renda primária, que engloba lucros, dividendos e pagamentos de juros, manteve-se estável em US$ 81,347 bilhões. Já a conta de renda secundária apresentou um superávit de US$ 5,543 bilhões, um aumento em relação aos US$ 4,505 bilhões de 2024.
Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram entrada líquida de US$ 15,284 bilhões, impulsionados principalmente por investimentos em títulos de dívida. Ao final de 2025, o estoque de reservas internacionais atingiu US$ 358,234 bilhões, um aumento em relação aos US$ 329,730 bilhões registrados no final de 2024.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/contas-externas-tem-saldo-negativo-de-us-688-bilhoes-em-2025
