Surto de vírus Nipah na Índia: autoridades em alerta e risco de pandemia avaliado

Autoridades da Índia monitoram reaparecimento do vírus Nipah

© Reuters/Stringer

Autoridades de saúde na Índia estão em alerta devido a um recente surto do vírus Nipah em Bengala Ocidental, com cinco casos confirmados em profissionais de saúde de um hospital local. Aproximadamente 100 pessoas foram colocadas em quarentena na unidade de saúde, e países vizinhos como Tailândia, Nepal e Taiwan reforçaram as medidas de precaução sanitária em seus aeroportos.

O vírus Nipah, um vírus zoonótico transmitido de animais para humanos e por meio de alimentos contaminados, já foi identificado anteriormente no Sudeste da Ásia. O reservatório natural do vírus são morcegos encontrados em diversos países asiáticos e também na África. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com morcegos contaminados, seus fluidos corporais ou frutas contaminadas, mas também foram relatados casos de transmissão entre humanos, especialmente em ambientes hospitalares.

Segundo Benedicto Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, a recorrência do vírus na Índia está ligada a fatores ambientais e culturais, como a presença de morcegos, a flora local e hábitos alimentares. Ele explica: “Nesta fase do ano, as tamareiras que existem nessa região dão uma seiva muito doce, que os morcegos adoram. Essa seiva é consumida também por pessoas, que geralmente tomam isso puro, sem ferver ou pasteurizar”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que os sintomas da doença podem ser severos, incluindo encefalites fatais, com uma letalidade de até 40%. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, vômitos e dor de garganta, podendo evoluir para tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos de encefalite aguda.

Apesar de o vírus poder ser transmitido por secreções de pessoas infectadas, o infectologista Benedicto Fonseca acredita que o potencial de disseminação em nível pandêmico é menor em comparação com vírus de transmissão respiratória. “Acredito que o potencial pandêmico, de uma distribuição no mundo todo, é pequeno”, afirma.

Contudo, Fonseca enfatiza a importância do monitoramento contínuo, considerando o período de incubação do vírus, que permite que uma pessoa infectada viaje longas distâncias antes de manifestar os sintomas. “Do momento da infecção até o aparecimento dos sintomas, demora em torno de quatro dias. É possível que uma pessoa se infecte na Ásia e venha para o Brasil, por exemplo, ou para outras partes do mundo, e desenvolva a doença. E ela pode transmitir a doença”, conclui.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-01/autoridades-da-india-monitoram-reaparecimento-do-virus-nipah

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