Lula critica Trump e defende multilateralismo em encontro do MST
© Ricardo Stuckert
Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação com o cenário político mundial, criticando o que chamou de abandono do multilateralismo em favor do unilateralismo. O evento, que celebrou os 42 anos do MST e reuniu mais de 3 mil trabalhadores de todo o país, serviu de palco para o presidente manifestar seu descontentamento com a crescente tensão internacional.
Lula criticou a postura do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que a carta da organização estaria sendo desrespeitada e que a proposta de um novo Conselho de Paz liderado por Trump representaria uma tentativa de dominação. “Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU (…) o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”, declarou.
O presidente informou que tem buscado diálogo com líderes de diversas nações, incluindo China, Rússia, Índia e México, com o objetivo de promover o multilateralismo e evitar que “predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”.
Lula também manifestou indignação com a situação na Venezuela, referindo-se a um suposto sequestro do presidente Nicolás Maduro. “Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar (…) Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do sul”, questionou.
O presidente reiterou que o Brasil busca relações igualitárias com todas as nações, recusando-se a aceitar qualquer forma de dominação. “O Brasil não tem preferência de relação com qualquer país, mas que não vai aceitar “voltar a ser colônia para alguém mandar na gente””, enfatizou.
Ao final do encontro, o MST entregou uma carta ao presidente, na qual o movimento critica o imperialismo e a tentativa de impedir o avanço do multilateralismo no continente, citando a invasão da Venezuela e o ataque à soberania dos povos. O documento também reafirma os princípios do movimento, como a luta pela reforma agrária, o socialismo, a crítica ao agronegócio e a solidariedade com outros povos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-01/trump-quer-criar-nova-onu-diz-lula-sobre-conselho-de-paz
