Juros altos barram crédito para 8 em cada 10 indústrias, aponta CNI
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Em Goiás, a dificuldade na obtenção de crédito tem sido um obstáculo para o setor industrial, conforme pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE). O levantamento, realizado com 1.789 empresas industriais em agosto do ano passado, revela que 8 em cada 10 empresas enfrentaram entraves para acessar financiamentos.
De acordo com a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2023, os juros elevados figuram como a principal barreira, afetando 80% dos empresários que buscam crédito de curto ou médio prazo (até 5 anos). A exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas, foi apontada por 32% dos entrevistados, enquanto 17% mencionaram a falta de linhas de crédito adequadas.
O cenário desfavorável se mantém para o crédito de longo prazo (acima de 5 anos), com 71% dos industriais atribuindo as dificuldades aos juros altos. A exigência de garantias foi mencionada por 31% e a ausência de linhas compatíveis, por 17%.
A analista da CNI, Maria Virgínia Colusso, aponta que “a atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”.
A pesquisa também mostra que a alta taxa Selic impactou a procura por crédito, com 54% das empresas evitando buscar crédito de longo prazo e 49% de curto ou médio prazo nos seis meses anteriores à pesquisa. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, e no longo prazo, o percentual foi de 17%.
A dificuldade na obtenção de crédito é mais expressiva no longo prazo, afetando quase um terço das empresas que tentaram. No curto ou médio prazo, cerca de 20% não obtiveram sucesso. A pesquisa detalha ainda que 26% das médias, 21% das pequenas e 16% das grandes empresas não conseguiram crédito de curto ou médio prazo. No longo prazo, os percentuais foram de 43% para médias, 37% para pequenas e 27% para grandes empresas.
Adicionalmente, 35% das empresas consideraram que as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram, enquanto 33% tiveram a mesma percepção para o longo prazo. Apenas uma pequena parcela, 14% e 12%, respectivamente, relataram melhora.
A adesão ao risco sacado, modalidade de antecipação de recebíveis, é baixa: apenas 13% das indústrias contrataram essa operação nos últimos 12 meses.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/juros-altos-travam-credito-para-80-das-industrias-revela-pesquisa
