Sanções Econômicas: Arma de Guerra Moderna Contra Irã e Venezuela

Entenda como sanção dos EUA fragilizam economias como Irã e Venezuela

© Fars News Agency/Divulgação

As sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, e em alguns casos pela ONU, ao Irã e à Venezuela, têm sido apontadas como armas de política externa com o objetivo de pressionar ou desestabilizar governos. No caso iraniano, as sanções da ONU se somam às americanas, intensificadas após a guerra de 12 dias iniciada por Israel em 2025, afetando o programa nuclear do país. A desvalorização da moeda iraniana em 50% e a inflação oficial de 42% em 2025 são alguns dos resultados desse bloqueio, que tem gerado protestos e deterioração das condições de vida da população.

A economista e socióloga Juliane Furno, da Uerj, explica que as sanções dificultam a entrada de dólares no Irã, impactando o sistema financeiro internacional e o comércio. As medidas, que começaram em 1979 após a Revolução Iraniana, bloqueiam ativos iranianos no exterior, dificultam transações financeiras e punem empresas que investem no setor energético do país.

O Irã, apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sofre com as restrições impostas, como apontado em um relatório da ONU de julho de 2024. A relatora especial da ONU sobre os impactos das sanções para os direitos humanos, Alena Douhan, destaca a relação direta entre as sanções e o desempenho econômico do país, especialmente no setor energético.

Com a suspensão parcial das sanções em 2015, o Irã aumentou significativamente suas exportações de petróleo. No entanto, a reimposição das sanções pelos EUA em 2019 derrubou as exportações, impactando as receitas do governo e aumentando a pobreza. Alena Douhan pede a suspensão das sanções devido aos efeitos sociais e nos direitos humanos.

A inflação é um dos principais problemas enfrentados pelo Irã, com aumentos expressivos nos preços gerais e nos custos dos alimentos. Um estudo da Revista Europeia de Economia Política El Sevier, de dezembro de 2025, aponta que as sanções reduziram o tamanho da classe média iraniana. Outra pesquisa, da revista The Lancet, revelou que as sanções da ONU interromperam as importações de medicamentos essenciais, elevando os preços e prejudicando o acesso a tratamentos de alta qualidade.

Os Estados Unidos justificam as sanções como necessárias devido a violações de direitos humanos e apoio ao “terrorismo”, buscando forçar o Irã a desmantelar seu programa nuclear. Para os críticos, o cientista político Bruno Lima Rocha, da HispanTV Brasil, a justificativa é um pretexto para mudar um regime político que se opõe à hegemonia de Israel e do Ocidente no Oriente Médio.

Estudos recentes apontam que as sanções têm impactos comparáveis aos de guerras tradicionais. A revista científica The Lancet Global Health estima que as sanções unilaterais estão associadas a cerca de 560 mil mortes por ano. A revista Estudos de Desenvolvimento, do Reino Unido, calcula que as sanções podem reduzir a expectativa de vida e afetar mais severamente as mulheres, aumentando a mortalidade infantil e diminuindo os gastos públicos com saúde.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/entenda-como-sancao-dos-eua-fragiliza-economias-como-a-do-ira

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