OEA expõe polarização sobre ação dos EUA na Venezuela

Reunião da OEA sobre Venezuela expõe divisão política no continente

© Juan Manuel Herrera/OEA

A Organização dos Estados Americanos (OEA) expôs a divisão política no continente durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente nesta terça-feira, ao debater a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

O encontro, marcado por manifestações individuais, não resultou em negociações formais ou decisões concretas. Países alinhados aos Estados Unidos, como Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, manifestaram apoio à intervenção militar em Caracas. O embaixador da Argentina, Carlos Bernardo Cherniak, declarou que seu país “aprecia a determinação demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos” e confia que as ações representam um “avanço decisivo contra o narcoterrorismo”. A embaixadora do Equador, Mónica Palencia, expressou solidariedade às vítimas da “ditadura” na Venezuela, esperando que ela chegue ao fim.

Em contrapartida, Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras se posicionaram contrários à ação dos EUA, defendendo a soberania dos países e a busca por soluções diplomáticas. O embaixador brasileiro, Benoni Belli, classificou os bombardeios e o sequestro como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”. O embaixador do México, Alejandro Encinas, defendeu uma reflexão hemisférica “apegada ao direito internacional”.

A Venezuela, apesar de ser membro da OEA, não teve oportunidade de se manifestar durante a reunião, refletindo o conturbado relacionamento com a organização desde 2017, quando o governo de Nicolás Maduro anunciou sua saída.

O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, não comentou diretamente a ação dos EUA, elogiando o multilateralismo e a importância de obedecer ao direito internacional e aos princípios de soberania.

A reunião também serviu de palco para a disputa entre Estados Unidos e China. O embaixador estadunidense, Leandro Rizzuto, acusou o governo chinês de querer controlar os recursos naturais da Venezuela. A representante da China refutou as acusações, classificando-as como “desnecessárias, injustificadas e falsas”, e criticou o uso da força contra um Estado soberano.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/reuniao-da-oea-sobre-venezuela-expoe-divisao-politica-no-continente

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