Maior estudo do mundo revela os efeitos do Zika em 843 crianças brasileiras
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Um abrangente estudo sobre os efeitos do Zika na infância, considerado o maior do mundo sobre o tema, foi publicado por pesquisadores de diversas instituições brasileiras. O Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio) analisou dados de 843 crianças com microcefalia, nascidas entre 2015 e 2018 em diferentes regiões do país, consolidando informações de 12 centros de pesquisa.
A pesquisa, divulgada no periódico científico PLOS Global Public Health, buscou descrever e uniformizar informações sobre os casos, definindo o espectro da microcefalia causada pelo vírus. Segundo Maria Elizabeth Lopes Moreira, pesquisadora do IFF/Fiocruz, o estudo se destaca por analisar dados primários de diversas pesquisas no Brasil, permitindo observar um espectro de gravidade e diferentes manifestações da Síndrome Congênita do Zika (SCZ).
O estudo revelou que a microcefalia causada pelo Zika apresenta uma morfologia distinta, caracterizada pelo colapso do cérebro, muitas vezes associado a distúrbios neurológicos, auditivos, visuais e convulsões. Entre as sequelas mais frequentes, destacam-se anormalidades estruturais do sistema nervoso central, déficit de atenção social, epilepsia e alterações oftalmológicas.
A pesquisa também apontou que cerca de 30% das crianças acompanhadas faleceram, enquanto as sobreviventes enfrentam dificuldades na inclusão escolar. Diante da ausência de tratamento específico para o Zika vírus, os pesquisadores recomendam que gestantes evitem áreas de infestação do mosquito Aedes aegypti, usem repelentes e roupas de mangas compridas. Além disso, enfatizam a importância da estimulação precoce para crianças expostas ao vírus, mesmo que não apresentem microcefalia ao nascer.
Ricardo Ximenes, pesquisador da UFPE e da UPE, ressaltou a necessidade de cuidados multidisciplinares contínuos para crianças afetadas pelo Zika, destacando os desafios de acesso a esses serviços no SUS. Maria Elizabeth salientou a importância de desenvolver uma vacina para mulheres em idade fértil e o acompanhamento do neurodesenvolvimento de crianças nascidas entre 2015 e 2018, cujas mães tiveram Zika na gravidez. “Essa é a maior dificuldade das crianças, principalmente das que não têm microcefalia, mas cujas mães tiveram Zika na gravidez comprovada. Quando nascem, um grupo dessas crianças tem microcefalia, e o outro, não. O grupo com microcefalia vai evoluir com muitos problemas. Mas o outro precisa ser acompanhado, porque também pode apresentar algum distúrbio de desenvolvimento”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-01/brasileiros-publicam-maior-estudo-ja-feito-sobre-sequelas-do-zika
