Invasão na Venezuela: Risco para a Soberania da América Latina

Invasão militar na Venezuela partiu de 20 bases e usou 150 aeronaves

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A recente ação dos Estados Unidos na Venezuela, caracterizada por especialistas como uma invasão militar e o rapto do presidente Nicolás Maduro, tem gerado forte preocupação e debates acalorados na América Latina. Analistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a conduta do governo norte-americano representa uma grave violação das normas internacionais e da Carta das Nações Unidas, configurando um ataque à soberania de um país e desrespeitando o princípio da autodeterminação dos povos.

Para Williams Gonçalves, professor aposentado da Uerj, “o princípio do respeito à soberania dos Estados já foi desrespeitado, o que significa que todos os Estados da nossa região estão à mercê da intervenção dos Estados Unidos”. O especialista lamenta a postura de governos como o da Argentina e de grupos políticos que apoiam a ação, considerando-a uma “traição a toda a luta que o povo argentino travou para defender a sua independência”.

Gonçalves alerta que tal intervenção abre um perigoso precedente, convidando a novas ações arbitrárias por parte dos Estados Unidos, inclusive em países como o Brasil. Ele defende uma união de esforços entre os chefes de Estado da região, utilizando instrumentos jurídicos e políticos para condenar veementemente a intervenção, e espera um posicionamento firme das forças militares brasileiras contra qualquer ação semelhante.

Antonio Jorge Ramalho da Rocha, professor da UnB, critica a falta de compromisso de Donald Trump com o direito internacional, afirmando que “ele não entende as relações internacionais pautadas por normas, ele entende as relações internacionais pautadas pela força”. Segundo o professor, a intervenção na Venezuela abre a porta para futuras invasões em outros países da região, como Colômbia e Brasil, e fortalece as divisões internas das sociedades.

Rocha também aponta para a possibilidade de interferências nos processos eleitorais em curso na região, especialmente na Colômbia e no Brasil, e defende um fortalecimento do multilateralismo e uma atuação mais eficaz das Nações Unidas. Ele adverte sobre as graves consequências de longo prazo desse ataque para a América Latina, com a possibilidade de mobilização de tropas na fronteira e o risco de um cenário comparável ao Vietnã caso os Estados Unidos decidam ocupar militarmente a Venezuela.

Apesar de reconhecer que o governo venezuelano “é um governo péssimo que destruiu um país”, Rocha enfatiza que a invasão e a retirada do presidente configuram uma violação das normas internacionais, uma vez que a Venezuela é um país soberano.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/america-latina-esta-merce-da-intervencao-dos-eua-dizem-analistas

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