Fogos de artifício: um pesadelo para os animais de estimação

Fogos de artifício acarretam sofrimento físico e risco para animais

© Prefeitura do Rio/Subvisa/Nelson Duarte

O período de festas de fim de ano, marcado por grandes aglomerações e queima de fogos, pode ser um momento de grande sofrimento para os animais, devido à sua audição mais sensível. Cães, que captam sons de até 40 mil Hz, e gatos, até 65 mil Hz, são particularmente vulneráveis aos ruídos intensos dos fogos de artifício, que podem causar pavor e risco de acidentes.

Diogo Alves, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), explica que sons altos e repentinos são interpretados pelos animais como ameaças, levando a um forte estresse. “Porque o som alto e repentino, quando o cão ou o gato escutam, eles interpretam como se fosse um estímulo potencialmente ameaçador, que leva a um forte estresse e pode até relacionar com uma combinação de fatores sensoriais também, emocionais e comportamentais.”

Para minimizar o impacto negativo, Alves recomenda preparar os pets com antecedência, criando um ambiente seguro com cômodos fechados, cortinas e isolamento acústico improvisado. Sons constantes, como televisão ou música em volume moderado, também podem ajudar a abafar o barulho dos fogos. Além disso, “Porque o animal tem que ter uma rotina super harmoniosa dentro de casa. Você pode tentar fazer com que o animal tenha brinquedinhos em casa, que podem funcionar até como uma ferramenta emocional para ele, porque vai ajudar a canalizar a energia, estimular o foco no brinquedo e ser algo positivo que vai fazer ele se desligar dos estímulos externos. Isso é muito importante também”.

O estresse causado pelos fogos pode levar a reações como pânico, tentativas de fuga, tremores e até convulsões, com risco de morte em casos extremos. “A liberação de adrenalina é tão alta que pode ocorrer uma parada cardíaca em decorrência da convulsão e do choque”, alerta Alves, que também desaconselha o uso de coleiras que possam causar enforcamento durante as tentativas de fuga.

Para os gatos, o uso de feromônios em spray pode ser uma alternativa para acalmá-los, além de manter as portas fechadas para evitar fugas. “Muito cuidado com convidados, que ficam entrando e saindo dentro da casa da pessoa. E, aí, podem deixar a porta aberta e o bicho fugir”. Envolver o animal em mantas e o contato físico com o tutor também podem ajudar a reduzir o estresse, pois “O contato da pele animal com a do ser humano faz com que ele se sinta mais seguro. Isso é muito importante”.

Em relação a medicações, Diogo Alves adverte que o uso de ansiolíticos ou sedativos só deve ser feito sob prescrição veterinária. É importante não alimentar o animal próximo aos horários dos fogos para evitar engasgos e mantê-lo hidratado, oferecendo cubos de gelo de frutas como melancia e melão.

Além dos fogos de artifício, outros cuidados são importantes durante as festas, como evitar a intoxicação por alimentos como chocolate, uva passa e cebola, que são prejudiciais aos animais. O professor de Medicina Veterinária da Universidade Guarulhos (UNG), Diego de Mattos, destaca que “Caso o tutor queira incluir os bichinhos nas festividades, é recomendado preparar opções seguras, como carnes magras e cozidas sem tempero e sal, legumes adequados e petiscos voltados aos pets”.

A busca por atendimento veterinário é essencial caso o animal apresente sintomas como tremores contínuos, vômitos, dificuldade para respirar ou recusa em se alimentar. O CRMV-RJ reforça que celebrar não pode significar colocar vidas em risco, e a responsabilidade com os animais deve ser parte do planejamento das comemorações.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/fogos-de-artificio-acarretam-sofrimento-fisico-e-risco-para-animais

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