Verão eleva risco de AVC: calor, desidratação e hábitos aumentam casos

Calor pode aumentar risco de AVC, alerta médico

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Com a chegada do verão, especialistas alertam para o aumento nos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), impulsionado por fatores como a desidratação causada pelo calor, que eleva o risco de coagulação sanguínea, conforme explica o neurocirurgião Orlando Maia. A diminuição da pressão arterial, comum no verão devido à vasodilatação, e o aumento do consumo de álcool durante as férias também contribuem para esse cenário.

Maia ressalta que a desidratação engrossa o sangue, facilitando a trombose, condição que predispõe ao AVC isquêmico, o tipo mais comum, causado pelo entupimento de um vaso cerebral. Além disso, arritmias cardíacas, favorecidas pela queda da pressão arterial, podem levar à formação de coágulos que, ao entrarem na corrente sanguínea, têm grande probabilidade de atingir o cérebro.

O descuido com a saúde durante as férias, incluindo o esquecimento de medicamentos e o aumento do consumo de álcool, agrava ainda mais a situação. Doenças típicas do verão, como gastroenterites, insolação e esforços físicos excessivos, também elevam o risco.

O tabagismo é apontado como um fator de risco significativo, contribuindo para o desenvolvimento de aneurismas e processos inflamatórios nos vasos sanguíneos, aumentando a probabilidade de AVCs hemorrágicos e isquêmicos. “A nicotina bloqueia uma proteína do nosso vaso chamado elastina, diminui a elasticidade do vaso, então pode favorecer ao AVC hemorrágico, como também causa um processo inflamatório no vaso em si, favorecendo a aderir as placas de colesterol a longo prazo e o entupimento dos vasos. Então, o tabaco é diretamente proporcional à situação tanto do AVC hemorrágico como do AVC isquêmico”, adverte o médico.

O estilo de vida moderno, aliado ao tabagismo e a doenças crônicas não controladas, tem levado ao aumento de casos de AVC em pessoas com menos de 45 anos. O Hospital Quali Ipanema, por exemplo, registra um aumento significativo de atendimentos no verão, chegando a atender cerca de 30 pacientes por mês.

O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. “Quando não mata, deixa a pessoa incapaz. Eu digo que é uma doença que não é na pessoa, mas na família, porque pelo menos duas pessoas vão ter que se dedicar a cuidar daquele doente com AVC”, alerta Maia, destacando a importância da prevenção através de hábitos de vida saudáveis, prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial e abandono do tabagismo.

O tratamento do AVC evoluiu, e a rapidez no atendimento é crucial. Atualmente, existem duas formas principais de tratamento: a infusão de medicamentos para dissolver o coágulo e a utilização de cateteres para remover o coágulo diretamente do vaso sanguíneo. “Você coloca um remédio na veia que dissolve o coágulo e, na maioria dos casos, o remédio resolve”, explica o neurocirurgião.

Os sintomas de um AVC incluem paralisia súbita de um membro ou dos dois membros de um lado do corpo, fala enrolada, perda de visão em um dos lados e tontura extrema. “Esses são os sintomas principais de uma pessoa que está tendo um AVC. Ela vai ter dificuldade de movimento, de fala, de visão ou uma perda súbita da consciência”, finaliza Maia, reforçando a importância de procurar atendimento médico imediato diante de qualquer um desses sinais.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-12/calor-pode-aumentar-risco-de-AVC-alerta-medico

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