Mercosul se divide sobre Venezuela: Argentina critica, Brasil teme intervenção dos EUA
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em meio à cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu, Paraná, líderes de Argentina, Paraguai e Panamá, juntamente com autoridades de Bolívia, Equador e Peru, divulgaram um comunicado conjunto expressando “profunda preocupação” com a crise migratória, humanitária e social na Venezuela, país já suspenso do bloco. O documento, liderado pela Argentina, enfatiza o compromisso com o restabelecimento da ordem democrática e o respeito aos direitos humanos no país caribenho, pedindo ainda a libertação de presos políticos.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, não assinaram o comunicado. O Palácio do Planalto avalia que a assinatura poderia ser interpretada como um apoio a uma eventual ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, o que não é de interesse do Brasil.
A ausência de menção à tensão entre Estados Unidos e Venezuela no documento também é notável. Os EUA têm intensificado a presença militar no Caribe e apreendido navios petroleiros venezuelanos, sob a justificativa de combate ao narcotráfico, enquanto o presidente Nicolás Maduro denuncia interesses nas reservas de petróleo e uma tentativa de derrubá-lo do poder.
Durante a reunião do Mercosul, Lula declarou que “uma intervenção na Venezuela geraria uma catástrofe humanitária” e um precedente perigoso. O presidente revelou ter conversado com Maduro e Trump na tentativa de buscar uma solução diplomática para a crise. Em seu discurso aos líderes do Mercosul, Lula afirmou: “Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados”.
Em contrapartida, o presidente argentino, Javier Milei, classificou Nicolás Maduro como “narcoterrorista” e expressou apoio às ações militares na costa venezuelana, afirmando: “A Argentina acolhe com satisfação a pressão dos Estados Unidos e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo da timidez nesta questão já passou”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-12/brasil-nao-assina-comunicado-sobre-venezuela-liderado-pela-argentina
