Ato público no Rio clama por fim da violência contra mulheres e população LGBTQIA+

Ato nos Arcos da Lapa pede fim da violência contra mulheres e LGBTQIA+

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Um ato público reuniu diversos movimentos sociais no último domingo em defesa do fim da violência contra mulheres, população LGBTQIA+ e outras minorias vulneráveis, frequentemente alvos de agressões e assassinatos em todo o país. O evento, organizado pela CasaNem, centro de acolhimento para pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social no Rio de Janeiro, teve como estopim casos recentes de violência brutal, como o da adolescente trans de 13 anos, gravemente ferida e queimada no Espírito Santo, e o assassinato de Fernando Vilaça, jovem de 17 anos, em Manaus, vítima de LGBTfobia.

Indianarae Siqueira, fundadora da CasaNem, enfatizou a urgência de políticas públicas que protejam a juventude LGBTQIA+ e que o combate ao preconceito seja inserido na educação desde a infância. Segundo ela, o aumento da visibilidade da violência contra essas populações se deve ao avanço das leis e dos mecanismos de denúncia. “Quando a LGBTfobia se tornou crime também, as pessoas passaram a denunciar mais. A gente não quer que seja assim mas, infelizmente, criminalizando, às vezes, é uma maneira pedagógica para as próximas gerações entenderem que isso não pode mais ser possível e não pode ser aceitável em uma sociedade”, afirmou.

Laisa, mulher trans participante do ato, reforçou a importância da igualdade de direitos e do respeito, independentemente da orientação sexual. MC Raica, que também marcou presença no evento, cantou funk como forma de retribuir o apoio que tem recebido da CasaNem, que a impulsionou a participar de grandes eventos como a Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio de Janeiro. “Aos poucos, as coisas estão acontecendo. Tem um gosto de realização para mim e inspiração para outras. A gente só se viu na esquina ou em salões de beleza. Hoje em dia, a gente pode ser o que quiser”, disse Raica, que atualmente trabalha de carteira assinada e está se afastando da prostituição.

Lohana Carla, do Instituto Trans Maré, destacou o trabalho de acolhimento a mulheres trans e travestis, oferecendo assistência psicológica, jurídica, apoio à alimentação, moradia e empregabilidade. “A gente quer abrir o olho da sociedade para todos os campos que sofrem violência. Falam muito em direitos, mas, para nós, está se usando só uma boa maquiagem. As pessoas trans sofrem transfobia, preconceito. É preciso lutar contra isso”, lamentou Lohana.

Eliane Linhares, da Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST) e do grupo Jocanas Arariê, defendeu a criminalização da misoginia, a prisão para feminicidas e estupradores e o investimento em verbas públicas para a proteção das mulheres, incluindo as indígenas.

Os números revelam a gravidade da situação. De janeiro a setembro deste ano, foram registradas mais de 2,7 mil tentativas de feminicídio e 1.075 mortes consumadas. O Brasil, pelo 17º ano consecutivo, lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans e travestis no mundo. Em 2024, o Grupo Gay da Bahia contabilizou 291 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, enquanto o Dossiê ANTRA registrou 122 assassinatos de pessoas trans no ano passado, sendo a maioria das vítimas negras e pardas. O Atlas da Violência 2025 aponta um aumento de 1.227% nas agressões contra a população LGBTQIA+ em dez anos, com destaque para o crescimento de 2.340% nos casos de violência contra travestis.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/ato-nos-arcos-da-lapa-pede-fim-da-violencia-contra-mulheres-e-lgbtqia

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