Censura e violência contra jornalistas na Câmara geram audiência pública no Senado.
© Pedro Rafael/Agência Brasil
Uma audiência pública no Senado Federal debateu, nesta quinta-feira, o recente episódio de violência e censura sofrido por jornalistas na Câmara dos Deputados. O caso ocorreu na última terça-feira, quando policiais legislativos agiram de forma violenta contra profissionais de imprensa, interrompendo a transmissão da TV Câmara e retirando jornalistas do plenário durante um protesto do deputado Glauber Braga.
Entidades representativas da imprensa manifestaram seu repúdio ao cerceamento do direito à informação. O senador Paulo Paim, autor do pedido para a audiência, expressou solidariedade aos jornalistas, afirmando ter ficado “chocado com a violência sofrida”.
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, informou que a entidade formalizou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente da Câmara, Hugo Motta, acusando-o de crime de responsabilidade e ato de censura. “Isso não pode ficar impune. Não queremos só uma explicação, queremos punição deste presidente da Câmara. O que ele fez é lamentável e afeta a todos nós”, declarou Costa. A ABI também planeja apresentar denúncias na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, na OEA e na Comissão de Ética. “Quando um presidente da Câmara dos Deputados dá o exemplo que o senhor Hugo Motta deu, às vésperas de uma eleição, é altamente preocupante, por isso que digo que é importante que haja uma resposta judicial contra o que ocorreu”, reforçou.
Para Bia Barbosa, da Repórteres sem Fronteiras (RSF), o episódio é resultado de uma “banalização e naturalização do cerceamento da atividade jornalística”. Ela avaliou que “Isso foi brutalmente intensificado durante o governo [Jair] Bolsonaro e se espraiou e capilarizou na nossa sociedade de tal maneira que mesmo depois de uma mudança de governo e dessa mudança de institucionalidade em relação à imprensa, não fez com que episódios como esse deixassem de acontecer”.
A presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Kátia Brembatti, destacou a escalada da violência contra jornalistas, seja física, verbal ou judicial, esta última caracterizada como assédio judicial. Ela alertou que “A imprensa não está sob uma redoma que não poderia ser criticada, ela pode ser criticada, mas existem formas de fazer isso. Não é atacando, agredindo as pessoas. A violência não é legítima em nenhuma face”, e que existem 654 processos judiciais no Brasil que se enquadram nessa categoria. “Esses processos intimidam os jornalistas. Eles sufocam financeiramente as empresas e criam um autopoliciamento. A sociedade deixa de ser informada quando um jornalista pensa cinco vezes antes de abordar um assunto porque aquele assunto vai dar dor de cabeça”, alertou.
Samira Cunha, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mencionou o Relatório Anual da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa, que registrou 144 casos no Brasil apenas em 2024, um número considerado “chocante”. Para ela, “Em um país que se diz democrático, impedir a imprensa de fazer o trabalho dela sob qualquer forma de violência, de ameaça nas redes sociais a uma agressão verbal, que muito rapidamente passa para outros tipos de violência, como o assédio judicial, resulta na censura, na autocensura, e é absolutamente injustificável”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/entidades-condenam-em-audiencia-no-senado-cerceamento-jornalistas
