Ministras e Janja protestam contra feminicídios em ato “Levante Mulheres Vivas”
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília se tornou palco, neste domingo (7), do “Levante Mulheres Vivas”, um ato organizado por diversas entidades da sociedade civil, motivado pela crescente onda de feminicídios que têm assolado o país. Sob forte chuva, a manifestação reuniu seis ministras do governo federal, o Ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e a primeira-dama Janja Lula da Silva.
A ministra da Mulher, Márcia Lopes, enfatizou a necessidade de maior representatividade feminina na política, defendendo que “as mulheres precisam ocupar 50% dos cargos políticos no Brasil. Não vamos votar em homem que agrida, que ofenda as mulheres. Não vamos votar”. Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, complementou, ressaltando que o combate à violência contra a mulher é “uma luta civilizatória” que exige a participação masculina. “É muito importante ter os homens ao lado da gente nessa caminhada. Essa luta é de toda a sociedade. Temos que unir forças para tirar essa chaga da sociedade. Nós temos um problema histórico e cultural de subordinação das mulheres e temos que mudar isso”, afirmou.
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, prestou homenagem à sua irmã, Marielle Franco, lembrando que o assassinato da vereadora e de outras mulheres como Mãe Bernadete é um recado, ao qual as mulheres respondem com resistência: “Quando Marielle foi assassinada da maneira que foi, com cinco tiros na cabeça, logo depois a mãe Bernadete, poucos anos depois, com 21 tiros na cabeça, há um recado dado para essas mulheres. A gente tá aqui hoje pra dizer que vai permanecer viva, de pé, lutando, ocupando todos os espaços, eles queiram ou não. A gente vai permanecer”.
Mesmo em recuperação pós-cirúrgica, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, marcou presença para denunciar a invisibilidade da violência contra mulheres indígenas: “Essa violência que a gente vê hoje em redes sociais, em noticiários, nos territórios indígenas acontece igualmente e nem notícia vira. Elas continuam no anonimato e ainda nem estatística viraram”. Já a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, ressaltou o caráter secular da luta feminina, buscando “salário igual para função igual, creches, direitos para que, nas universidades, as mulheres que sigam a carreira científica possam avançar sem nenhum tipo de empecilho”.
A primeira-dama Janja Lula da Silva expressou seu pesar pelos feminicídios e defendeu medidas punitivas mais rigorosas: “Que hoje seja um dia que fique marcado na história desse movimento das mulheres pelo Brasil. A gente precisa de penas mais duras para o feminicídio. Não é possível um homem matar uma mulher e, uma semana depois, estar na rua para matar outra. Isso não pode acontecer”. A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, também participou do evento.
A onda de feminicídios recentes, como o caso de Tainara Souza Santos, as mortes no Cefet-RJ e o assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, motivaram a convocação do ato. Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero revelam que cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios e, em 2025, o Brasil já ultrapassou a marca de 1.180 casos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/ministras-exaltam-luta-das-mulheres-em-ato-contra-o-feminicidio
