Carmén Lúcia: Democracia exige luta diária contra autoritarismo como erva daninha

Carmén Lúcia: "ditadura é como erva daninha que precisa ser cortada"

© Fernando Frazão/Agência Brasil

No Rio de Janeiro, durante um evento literário, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmén Lúcia, enfatizou a necessidade da vigilância constante da sociedade na defesa da democracia contra investidas autoritárias, comparando regimes de exceção a ervas daninhas que, se não combatidas, podem dominar o ambiente. “A erva daninha da ditadura, quando não é cuidada e retirada, toma conta do ambiente”, alertou.

Sua fala ocorreu após o STF determinar o cumprimento das penas dos envolvidos no Núcleo 1 da tentativa de golpe de estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, militares e ex-membros do alto escalão do governo. Carmén Lúcia destacou que a democracia exige luta diária para prevalecer, sendo “uma experiência de vida que se escolhe, que se constrói, que se elabora”.

A ministra também mencionou a descoberta de documentos que detalhavam planos para assassinar líderes do Executivo e do Judiciário. “Primeira vítima de qualquer ditadura é a Constituição”, afirmou, ressaltando a gravidade da tentativa de golpe. Ela revelou que havia uma tentativa documentada de “neutralizar” ministros do Supremo, esclarecendo que “Neutralizar é nem poder ter rugas, porque mata a pessoa antes, ainda jovem”.

Ao participar da 1ª Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa (FliRui), Carmén Lúcia defendeu a importância de ampliar o debate sobre democracia para além dos espaços formais, envolvendo a sociedade em discussões plurais e acolhedoras. “Este não é um espaço próprio exclusivamente de debates da esfera política formal, oficial do Estado. Aqui é um espaço que permite que a sociedade se reúna, debata, reflita”, declarou.

A ministra lembrou o compromisso histórico da Casa de Rui Barbosa com a luta democrática, personificado na figura de Rui Barbosa, que enfrentou perseguições e exílio em defesa dos direitos fundamentais. “Nada mais coerente com as finalidades de uma casa como essa do que manter esse compromisso social, institucional, com a democracia brasileira”, concluiu.

A declaração da ministra Carmén Lúcia ganha relevância após a determinação do STF para o cumprimento das penas dos condenados por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, referentes à trama para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-11/carmen-lucia-ditadura-e-como-erva-daninha-que-precisa-ser-cortada

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