Falta de integração e polarização política impulsionam o narcotráfico rumo a um narcoestado, alerta promotor
© Lula Marques/Agência Brasil
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Crime Organizado no Senado, o promotor de São Paulo, Lincoln Gakiya, alertou para a crescente influência do crime organizado no Brasil e os riscos de o país se tornar um narcoestado. Gakiya, que investiga o Primeiro Comando da Capital (PCC) e é jurado de morte pela facção, enfatizou a necessidade de maior integração entre as forças de segurança para combater o narcotráfico.
Durante sua fala, o promotor criticou a falta de coordenação entre as polícias e o Ministério Público, apontando que disputas institucionais dificultam o enfrentamento ao crime organizado. Ele destacou que a polarização política entre diferentes governos também prejudica essa integração, tornando difícil a cooperação em operações como a Carbono Oculto, que desmantelou esquemas de lavagem de dinheiro do PCC em São Paulo.
Gakiya propôs a criação de uma Autoridade Nacional para combater o crime organizado, com a participação de representantes de todas as polícias e órgãos do Estado, como forma de superar as diferenças institucionais e dar continuidade às políticas de segurança.
O promotor também alertou para a infiltração das facções na economia formal, especialmente no sistema financeiro, por meio de fintechs, criptomoedas e jogos de apostas online (bets), usados para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Ele mencionou o caso de empresas de ônibus em São Paulo, controladas pelo PCC, que faturavam milhões com contratos públicos.
Em relação ao Projeto de Lei (PL) Antifacção, Gakiya criticou a falta de precisão na diferenciação entre líderes e “soldados” do crime organizado, além da retirada dos homicídios cometidos por membros de facções do Tribunal do Júri. Ele defendeu um tratamento diferenciado para as organizações criminosas mais estruturadas, com ferramentas processuais mais intrusivas, como ocorre na Itália.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-11/falta-integrar-policias-contra-faccoes-diz-promotor-que-investiga-pcc
