Marcha das Mulheres Negras retorna a Brasília por reparação e bem viver

Caravanas saem de SP rumo à Marcha das Mulheres Negras em Brasília

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Após uma década, a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver retorna a Brasília nesta terça-feira (25), com o objetivo de fortalecer o movimento em resposta ao aumento das desigualdades e reivindicar um país comprometido com a reparação histórica, a justiça social e um futuro de dignidade e cuidado.

A edição deste ano espera reunir mulheres de todos os estados brasileiros e de mais de 40 países, superando a marca de 100 mil participantes alcançada em 2015. De São Paulo, partirão pelo menos 13 caravanas em direção à capital federal, totalizando mais de 350 mulheres.

Iyálori?à Adriana t’?m?lú, integrante do Comitê Impulsor Nacional da Marcha e participante da primeira edição, destaca o caráter coletivo da iniciativa: “A Marcha sempre foi coletiva e acontece a partir de vários movimentos, várias instituições. Ela não surge a partir do pensamento isolado de uma pessoa. É um conjunto de mulheres que pensam toda a estrutura, que organizam isso de maneira global”.

A organização do evento enfrenta desafios logísticos para garantir a participação de todas as mulheres, como explica Adriana: “É difícil porque, na verdade, é preciso ter recursos para levar as mulheres. Recursos para chegar até Brasília. Nossa grande questão é garantir que essas mulheres cheguem à Marcha. Nós sabemos que ela é algo para a nossa sobrevivência”. Para ela, é essencial “garantir as mulheres em Brasília. A Marcha acontece durante a semana, muitas delas trabalham, são mães solo, então não é pouca coisa o que temos de fazer. Elas têm o direito de estar na marcha para poder gritar: ‘nós existimos’”.

Para viabilizar a participação do grande número de mulheres, o comitê organizador contou com o apoio de emenda parlamentar destinada pela deputada federal Erika Hilton. Parte da verba será utilizada para o transporte das participantes, com prioridade para mulheres mais velhas, com mobilidade reduzida, com deficiência ou que trabalham em regime CLT.

Adriana ressalta o simbolismo da Marcha: “ela simboliza a luta, simboliza as mulheres negras organizadas em luta pelo direito à existência com dignidade. É a luta por reparação e bem viver. Sabemos quem somos porque sabemos de onde viemos e para onde voltaremos”. Ela também destaca a importância do evento no contexto político atual: “em tempos em que a extrema direita avança, o conservadorismo avança e os direitos, principalmente, das mulheres acabam em processos de perda”.

A organização da Marcha visa garantir a continuidade da luta após o evento: “nossa preocupação é como continuamos essa luta em segurança. Estamos falando de um movimento que luta pela sobrevivência dessas mulheres. Tem um antes, tem o dia da Marcha e tem o retorno aos nossos territórios”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-11/caravanas-saem-de-sp-rumo-marcha-das-mulheres-negras-em-brasilia

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