COP30 em Belém: Avanços e Discussões Rumo a 2026
© Bruno Peres/Agência Brasil
Após 13 dias de debates, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), sediada em Belém, encerrou-se com a aprovação unânime de 29 documentos pelos 195 países participantes. O conjunto de textos, denominado Pacote de Belém, consolida avanços em áreas como transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia.
Um dos maiores resultados da COP30 foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, um mecanismo inovador que visa recompensar financeiramente os países que mantêm suas florestas tropicais preservadas. A iniciativa já conta com o apoio de ao menos 63 países e mobilizou US$ 6,7 bilhões. O modelo propõe que investidores recuperem seus recursos, com taxas de mercado, enquanto contribuem para a conservação florestal e a redução de emissões de carbono.
O Pacote de Belém também formaliza o compromisso de triplicar o financiamento para adaptação às mudanças climáticas até 2035 e enfatiza a necessidade de países desenvolvidos aumentarem o apoio financeiro às nações em desenvolvimento. O documento “Mutirão” almeja ampliar o financiamento para ação climática, de fontes públicas e privadas, para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.
A conferência encerrou com 122 países tendo apresentado suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas e compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, conforme estabelecido no Acordo de Paris.
Os documentos aprovados na COP30 destacam a importância de uma transição justa que considere as necessidades das populações vulneráveis. Pela primeira vez, afrodescendentes foram mencionados nos documentos da conferência. Além disso, foi aprovado um Plano de Ação de Gênero que visa ampliar o orçamento e o financiamento sensíveis ao gênero, promovendo a liderança de mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais.
Apesar dos avanços, o “Mapa do Caminho”, proposta brasileira para o afastamento da economia dependente de combustíveis fósseis, não alcançou consenso. No entanto, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou que a ideia não foi descartada e será tema de discussões futuras entre os países. “O Mapa do Caminho já não é mais uma proposta apresentada pelo Brasil, pelo presidente Lula, mas por dezenas de países e por milhares e milhares de pessoas em todo mundo, chancelada pela comunidade científica”, afirmou. A ministra acredita que cada país deverá ter seu próprio “Mapa do Caminho”, assim como ocorre com as NDCs.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, admitiu a dificuldade em obter consenso sobre o “Mapa do Caminho” e prometeu estudos sobre o tema nos próximos meses. “Vamos juntar a maior inteligência possível sobre energia fóssil”, disse. Além do afastamento dos combustíveis fósseis, Marina Silva lembrou que haverá outro mapa referente ao fim do desmatamento. O Brasil segue na presidência da COP até novembro de 2026.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/entenda-o-pacote-de-belem-que-inclui-29-documentos-aprovados-na-cop30
