Sindicalização no Brasil: Cresce o número de filiados após anos de queda, mas ainda abaixo de 2012

Número de sindicalizados no Brasil para de cair e chega a 9,1 milhões

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Após mais de uma década de declínio, o número de trabalhadores sindicalizados no Brasil apresentou um aumento significativo em 2024, com 812 mil novas filiações. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE, revela que o percentual de sindicalizados alcançou 8,9% dos 101,3 milhões de trabalhadores ocupados no país.

O estudo aponta que, em 2024, o Brasil registrou 9,1 milhões de pessoas associadas a sindicatos, um crescimento de 9,8% em relação aos 8,3 milhões registrados em 2023. Apesar do avanço, o número ainda está abaixo dos 14,4 milhões de 2012, representando uma queda de 36,8% em 12 anos.

O analista da pesquisa, William Kratochwill, relaciona a queda acentuada no número de sindicalizados a partir de 2017 com a reforma trabalhista, que, entre outras mudanças, extinguiu a contribuição sindical obrigatória. Segundo Kratochwill: “Os dados mostram uma correlação forte entre a implantação da lei e a queda do percentual de pessoas sindicalizadas”.

O aumento observado entre 2023 e 2024, segundo Kratochwill, pode indicar uma retomada na percepção dos trabalhadores sobre a importância dos sindicatos: “O número de sindicalizados chegou a um valor muito baixo e, talvez, as pessoas estejam começando a verificar novamente a necessidade de se organizar, lutar pelos direitos dos trabalhadores, e isso se dá muito por meio do sindicato”.

A pesquisa do IBGE detalha ainda que a maioria dos novos sindicalizados em 2024 (8 em cada 10) tem 30 anos ou mais, com destaque para a faixa etária de 40 a 49 anos, que representa 32% das novas filiações. A participação de jovens (14 a 19 anos) é bem menor, correspondendo a apenas 0,7% do total. Kratochwill destaca que “não há ainda uma grande renovação dos quadros de associação a sindicato”.

Entre os setores de atividade, o que concentra a maior parte dos sindicalizados é o de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 30,9% do total. A taxa de associação neste setor é de 15,5%. Kratochwill observa que o setor público historicamente apresenta maior participação na sindicalização, com uma tendência maior de adesão.

A Pnad Contínua também revela que trabalhadores com nível superior completo apresentam uma taxa de sindicalização de 14,2%, acima da média nacional. Além disso, empregados no setor público têm uma taxa de sindicalização de 18,9%, mais que o dobro da média nacional.

Quanto à distribuição por gênero, a pesquisa aponta que a diferença entre homens e mulheres no universo sindical tem diminuído ao longo dos anos. Em 2012, os homens representavam 61,3% do total, enquanto as mulheres eram 38,7%. Em 2024, essa relação mudou para 57,6% homens e 42,4% mulheres. Kratochwill avalia que as mulheres “largaram” menos a sindicalização e estão acompanhando o aumento no número de associados.

O levantamento do IBGE também mostra uma queda no número de empregadores ou trabalhadores por conta própria associados a cooperativas, atingindo o menor patamar da série histórica em 2024.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-11/numero-de-sindicalizados-no-brasil-para-de-cair-e-chega-91-milhoes

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