UEG na COP30: Vozes de Goiás na Cúpula dos Povos por Justiça Climática

UEG integra debates na COP30 por meio da Tenda Multiétnica

Joseph Taurenpang é estudante de História da UEG de Goianésia (Foto: Arquivo Pessoal)

A Universidade Estadual de Goiás (UEG) marcou presença na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que se iniciou em Belém, no Pará.

A representação da UEG foi composta pelo professor Uelinton Barbosa Rodrigues, do Câmpus Cora Coralina, e pelo estudante de História da UEG Goianésia, Joseph Taurepang, que é indígena do povo Taurepang de Roraima e residente em Goianésia. Eles representam a Tenda Multiétnica Fica e o Núcleo de Agroecologia e Educação do Campo (Gwatá UEG). Joseph Taurepang também está atuando na cobertura da conferência em parceria com a Mídia Ninja e a Cúpula dos Povos.

O professor Uelinton Rodrigues desempenhou um papel ativo na articulação pré-conferência, promovendo diálogos entre diversos grupos, como povos originários, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e organizações da sociedade civil. O objetivo foi levar para a COP uma agenda climática construída a partir das lutas e perspectivas dessas comunidades tradicionais. O docente integra a delegação do Movimento Camponês Popular (MCP) e do MST, que também colaboram na construção da Cúpula. Além disso, uma equipe do Núcleo de Materiais Sustentáveis e Fibras Naturais (Nupmat|UEG) acompanha a programação do evento.

A edição brasileira da COP se destaca pela participação inédita de movimentos sociais e povos originários, com a Aldeia COP30 reunindo cerca de 3 mil indígenas credenciados, dos quais 400 participam da Blue Zone, local das negociações oficiais. A Cúpula dos Povos, por sua vez, congrega 1,3 mil movimentos sociais, redes e organizações populares de diversos países, com a expectativa de receber mais de 30 mil pessoas.

Durante a Cúpula, o professor Uelinton participou de painéis sobre agroecologia, soberania alimentar e cozinhas comunitárias, em diálogo com movimentos do campo. Segundo ele, esta edição da COP marca um momento decisivo para a centralidade dos territórios nas discussões climáticas. Ele enfatizou que “O grande legado da COP é que a defesa dos territórios e dos povos entrou na agenda climática. Os povos são os que menos contribuem para o desequilíbrio do clima, mas são os mais afetados. E o grande debate é pensar e defender os territórios indígenas, quilombolas, camponeses – e quem os defende e os protege. Não podemos separar os territórios dos seus defensores, que são os povos originários e tradicionais.”

Uelinton também destacou a relevância histórica da participação popular no Brasil, afirmando que “A presença desses povos aqui na COP30 é muito importante. E é a primeira vez que a conferência conta com essa presença massiva. Geralmente a COP é organizada em países não tão democráticos, como em Dubai, nos Emirados Árabes, ou no Azerbaijão. A participação popular foi muito restrita nesses países. No Brasil, não. Com a Cúpula dos Povos, com a Aldeia COP e com tantas outras atividades, estamos tendo a representatividade desses povos.”

O professor ressaltou que a presença da UEG na COP30 integra um debate que articula ciência, territórios e justiça climática, visando ampliar a visibilidade de temas como a defesa desses espaços, a agroecologia, a soberania alimentar e o papel dos povos originários e tradicionais no enfrentamento das mudanças do clima.

O estudante Joseph Taurepang, por sua vez, destacou a importância da UEG em sua jornada até a COP30. “A minha família UEG Goianésia me ajudou a chegar até aqui. Acreditaram na minha trajetória e que eu posso fazer mais pelos povos indígenas, mesmo estando distante de casa. E agora de volta ao Norte também, em Belém. É muito bom receber essa energia nortista, muito gratificante”, disse. Em Belém, Taurepang tem realizado coberturas, acompanhado debates e participado de mesas como ouvinte e interlocutor, trazendo questões que também atravessam a universidade.

Fonte e Fotos: Agência Cora de Notícias

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