Vozes Indígenas da América do Sul Unem-se na Marcha pelo Clima na COP30

Indígenas sul-americanos se unem em Belém por territórios e direitos

© Rafael Cardoso/Agência Brasil

Em Belém, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a Marcha Mundial pelo Clima reuniu cerca de 70 mil pessoas, incluindo representantes de povos indígenas de todos os países da América do Sul. Apesar de enfrentarem desafios e particularidades regionais, estes uniram suas vozes para reivindicar o respeito aos seus direitos e a demarcação de seus territórios tradicionais.

Cristian Flores, da Plataforma Boliviana Frente à Mudança Climática, presente na Cúpula dos Povos, enfatizou a importância da participação da sociedade civil para assegurar que as vozes dos povos originários sejam ouvidas durante as negociações da COP30. Ele critica o caráter “elitista” das COPs, onde “as COPs acabam sendo espaços muito elitistas, unicamente para os delegados dos países membros da ONU, que, no final de tudo, tomam decisões importantes sem escutar devidamente a sociedade civil”.

Flores, cuja delegação acompanha os fóruns de discussão indígenas desde o início de novembro, ressaltou a importância da Cúpula dos Povos, mas também apontou a necessidade de transformar as demandas em ações concretas para garantir os direitos dos povos. “É necessário trabalhar muito mais para que as nossas propostas não permaneçam apenas como demandas, mas que também se convertam em ações concretas para garantir os direitos dos povos”, afirmou.

Cahuo Boya, liderança do povo Wairani do Equador, acompanhado de um grupo de indígenas, veio a Belém para fortalecer a voz da Amazônia, das mulheres, homens e anciãos. Segundo ele, as comunidades enviam energia para que seus representantes falem em nome do território. Boya denunciou o descumprimento, por parte do governo equatoriano, da consulta popular sobre atividades extrativistas em seus territórios: “O Estado equatoriano deveria respeitar as nossas reivindicações, ouvir as nossas vozes. Mas, até hoje, não conseguimos obter nenhuma resposta do governo”, disse o ativista.

Boya ressalta que os impactos do petróleo e da mineração afetam os territórios indígenas em toda a Amazônia, defendendo a criação de uma agenda comum. “Chegamos aqui para nos unir com os demais povos indígenas da América do Sul e do mundo. Queremos ocupar esses espaços nas ruas e nos centros de decisão para que sejamos ouvidos. Merecemos respeito do Estado equatoriano e dos organismos internacionais”, concluiu.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/indigenas-sul-americanos-se-unem-em-belem-por-territorios-e-direitos

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