Cúpula dos Povos na COP30 critica inércia e defende participação popular e Palestina

COP30: Cúpula dos Povos critica omissão de países na tomada de decisão

© Tânia Rêgo/Agência Brasil.

A Cúpula dos Povos, evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), foi oficialmente inaugurada com críticas à limitada participação popular na conferência e manifestações em defesa da Palestina. Reúne cerca de 1,3 mil movimentos sociais, redes e organizações populares de diversas partes do mundo na Universidade Federal do Pará, em Belém, estendendo-se até o dia 16 de novembro.

Ayala Ferreira, da comissão organizadora e do MST, declarou que a Cúpula é um “dos maiores levantes da classe trabalhadora” em resposta aos desafios impostos pela COP. A expectativa é receber mais de 30 mil pessoas, em um evento que busca confrontar a inércia e a falta de compromisso observadas na COP ao longo de suas 30 edições.

“A cúpula dos povos de 2025 é a cúpula dos povos do campo popular para enfrentar e constranger em alguns momentos a COP 30. Ela é feita por muitas mãos e muitas vozes de homens e mulheres do mundo inteiro”, acrescentou Ayala Ferreira.

Antes da abertura, uma manifestação com bandeiras em defesa das águas e contra a exploração mineral e de combustíveis fósseis percorreu a universidade, exibindo a diversidade dos participantes, incluindo movimentos ribeirinhos, sem-terra, quilombolas, quebradeiras de coco, atingidos por barragens, pessoas com deficiência e mulheres.

Jamal Juma, ativista palestino, conectou a causa palestina à crise climática, afirmando que “Da Palestina até a Amazônia, os crimes contra a humanidade continuam e a resistência das pessoas continuam.”

A programação da Cúpula inclui debates sobre temas como territórios, soberania alimentar, racismo ambiental, transição energética justa, e feminismo popular, visando fortalecer a construção popular e convergir pautas socioambientais, antipatriarcais, anticapitalistas, anticolonialistas, antirracistas e de direitos.

Ivan González, da CSA-TUCA, ressaltou o esforço das organizações em participar dos debates e influenciar as decisões da COP, destacando que “as pessoas comuns não têm capacidade para mobilizar milhões em dinheiro para influenciar as decisões dos governos, particularmente na COP e em outros espaços de governança”.

Os participantes da Cúpula criticam a omissão e as soluções ineficazes apresentadas pelos países tomadores de decisão em relação à crise climática, que aprofundariam a desigualdade e as injustiças ambientais, afetando principalmente as populações vulneráveis.

Representantes do MTST enfatizaram o desenvolvimento de soluções tecnológicas solidárias, como as cozinhas solidárias criadas durante a pandemia, como respostas populares a eventos climáticos extremos.

Além dos debates, a Cúpula oferece uma programação cultural diversificada, incluindo a Feira dos Povos, a Casa das Sabedorias Ancestrais e apresentações de artistas e grupos populares da Amazônia e de outras regiões do Brasil.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/cop30-cupula-dos-povos-critica-omissao-de-paises-na-tomada-de-decisao

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