Américas perdem status de região livre de sarampo: Brasil em alerta
© Fernando Frazão/Agência Brasil
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) retirou o status de região livre de transmissão endêmica do sarampo das Américas, após a constatação de circulação contínua do vírus no Canadá por 12 meses. A decisão, anunciada em coletiva de imprensa pelo diretor da Opas, Jarbas Barbosa, na última segunda-feira (10), representa um retrocesso, embora ele ressalte que a situação é reversível com compromisso político, cooperação regional e vacinação.
Apesar da perda do certificado regional, o Brasil mantém seu status de país livre do sarampo, reconquistado em novembro de 2024, pois não houve transmissão interna e sustentada da doença. Até 7 de novembro de 2025, foram notificados 12.596 casos confirmados de sarampo em dez países das Américas, incluindo o Brasil, com 95% concentrados no Canadá, México e Estados Unidos. Sete países registram surtos ativos: Canadá, México, Estados Unidos, Bolívia, Brasil, Paraguai e Belize, geralmente desencadeados por casos importados.
A Opas aponta que 89% dos infectados não foram vacinados ou tinham situação vacinal desconhecida, com crianças menores de um ano sendo as mais afetadas e propensas a complicações. Até o início da década de 1990, o sarampo era uma das principais causas de mortalidade infantil, com cerca de 2,5 milhões de óbitos anuais no mundo.
No Brasil, foram confirmados 34 casos em 2025, distribuídos pelo Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso. O caso mais grave ocorreu em Campos Lindos (TO), onde a chegada de pessoas infectadas vindas da Bolívia resultou na transmissão do vírus para 18 moradores, que têm histórico de resistência à vacinação.
A Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo, Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita do Ministério da Saúde, em reunião com a Opas, apresentou a situação do país, recebendo recomendações para intensificar a vigilância e aumentar a cobertura da segunda dose da vacina. Renato Kfouri, presidente da câmara técnica, expressou preocupação com o aumento de casos em países vizinhos, como Argentina e Bolívia.
Isabela Ballalai, diretora da Sbim, alerta que o Brasil, por fazer fronteira com diversos países e manter circulação frequente de pessoas com os Estados Unidos, onde o vírus se espalha sem controle, deve manter a cobertura vacinal acima de 95% para evitar novos surtos.
A vacina contra o sarampo está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do calendário básico de vacinação infantil. A primeira dose, a tríplice viral, é administrada aos 12 meses, e a segunda dose, a tetraviral, aos 15 meses. Pessoas com até 59 anos sem comprovante de vacinação devem atualizar sua carteira.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-11/continente-americano-perde-certificacao-de-eliminacao-do-sarampo
