Córrego Santa Bárbara: Contaminação diminui, mas ainda exige atenção em Padre Bernardo

Relatório entregue nesta quarta-feira (8) informa remoção de 62,8 mil metros cúbicos de resíduos sólidos. Prazo era 10 de outubro

Empresa conclui retirada de toneladas de lixo que desmoronaram

Um relatório recente sobre a qualidade da água do Córrego Santa Bárbara, em Padre Bernardo, revela que, embora a contaminação causada pelo deslizamento de resíduos do antigo lixão da Ouro Verde tenha diminuído, os níveis de substâncias nocivas ainda são motivo de preocupação. O documento, entregue à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) em 23 de outubro, credita a melhora parcial às medidas emergenciais implementadas, mas ressalta que o córrego permanece vulnerável.

O estudo, baseado na Resolução nº 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), analisou amostras coletadas entre julho e setembro em pontos abaixo da área do lixão, nos córregos Santa Bárbara e Rio do Sal. Os pontos mais próximos ao lixão, denominados P2 e P3, continuam sendo áreas de maior risco, com variações de metais e episódios intermitentes de toxicidade.

O relatório conclui que o Córrego Santa Bárbara está em processo de recuperação, mas ainda não pode ser considerado seguro. Atualmente, a Ouro Verde e a Semad estão discutindo medidas de recuperação ambiental a médio prazo. Segundo o documento, “as variações observadas em metais e fósforo, especialmente nos pontos mais próximos ao lixão, indicam que o ambiente segue vulnerável e exige acompanhamento contínuo”.

O relatório recomenda manter o monitoramento, principalmente durante o período chuvoso, reavaliar possíveis fontes de poluição ao redor do aterro e garantir a integridade das lagoas de chorume e das barreiras de contenção, além da continuidade dos testes de toxicidade biológica para detectar novos episódios de contaminação.

Embora o córrego não seja utilizado para abastecimento doméstico, é importante para irrigação e dessedentação animal. A Semad mantém a proibição do uso da água até que novas análises confirmem a estabilidade dos parâmetros durante o período de chuvas.

Os resultados do relatório mostram que, após o desmoronamento, a qualidade da água sofreu um colapso, com a concentração de oxigênio dissolvido chegando a níveis incompatíveis com a vida aquática e a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) ultrapassando o limite permitido. O relatório descreve que “aquela foi a fase mais crítica, em que praticamente não havia oxigênio disponível para os peixes e outros organismos”.

A partir de agosto, as ações emergenciais começaram a surtir efeito, impulsionadas pelas medidas exigidas pela Semad e pela autodepuração natural do córrego. Entre as medidas implementadas, destaca-se a retirada de grande volume de lixo do leito e das margens do córrego, o escoamento controlado das lagoas de chorume, a construção de uma nova bacia de contenção e a instalação de barreiras para evitar o carreamento de sedimentos contaminados.

Apesar dessas melhorias, o relatório revela que alguns parâmetros ainda estão fora dos padrões legais, como o manganês e o fósforo, que podem causar problemas neurológicos, prejudicar a respiração dos peixes e levar à eutrofização. Outros metais, como níquel e zinco, também registraram picos, sendo considerados bioacumulativos. Os fenóis, que chegaram a níveis alarmantes, são potencialmente cancerígenos e tóxicos ao fígado e rins. Em setembro, a maioria desses parâmetros apresentou queda expressiva, alguns dentro dos limites estabelecidos pela legislação ambiental.

Fonte e Fotos: Agência Cora de Notícias

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