COP30: Belém se torna capital do clima e palco de negociações cruciais
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Belém se torna, a partir desta segunda-feira (10), o epicentro global das discussões sobre mudanças climáticas com a realização da 30ª Conferência das Partes (COP30). Pela primeira vez sediada na Amazônia, a conferência tem como principal desafio recolocar o tema no centro das prioridades internacionais.
Delegações de 194 países, além da União Europeia, marcarão presença, com a expectativa de receber mais de 50 mil visitantes, incluindo negociadores, cientistas, representantes de governos e da sociedade civil.
O evento ganhou força com a Cúpula do Clima, que reuniu chefes de Estado e representantes de alto nível de cerca de 70 nações, com o presidente Lula buscando engajar as nações em torno de ações para evitar o aumento de 1,5ºC nas temperaturas globais.
Segundo Lula, “A COP30 é a COP da verdade”, destacando a urgência do financiamento para adaptação e transição energética, e o afastamento dos combustíveis fósseis.
Márcio Astrini, do Observatório do Clima, ressalta a importância de um “roteiro” para a transição dos combustíveis fósseis, com prazos, esforços e financiamento definidos. Ele pontua que a discussão do fim do uso de combustíveis fósseis é fundamental, visto que representam 75% das emissões de gases do efeito estufa.
Apesar da urgência, a agenda climática enfrenta desafios como conflitos armados, o retorno de posturas negacionistas e o aumento das emissões de gases no último ano. Menos de 80 países atualizaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas para redução de emissões.
O presidente-designado da COP30, André Corrêa do Lago, clama para que Belém seja o início de um “ciclo de ação” no enfrentamento da crise climática.
Negociadores apontam três temas centrais: adaptação climática, transição justa e a implementação do Balanço Global do Acordo de Paris. O financiamento continua sendo um gargalo, com países ricos devendo cumprir promessas de apoio financeiro para a transição para uma economia de baixo carbono.
Para impulsionar o financiamento, foi apresentado um plano estratégico visando mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano. No Brasil, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi lançado, com aportes de mais de US$ 5,5 bilhões para a proteção de florestas tropicais.
A COP30 promete uma grande participação da sociedade civil, com atividades na Zona Verde, um espaço público para conectar diversos atores e apresentar soluções para a crise climática. A Cúpula dos Povos reunirá movimentos sociais para discutir uma transição justa do clima.
Dinamam Tuxá, da Apib, enfatiza a necessidade de efetivar os acordos firmados e incluir os povos que lidam com a proteção territorial nas negociações.
Astrini celebra a ampla participação social, afirmando que “Clima não é conversa de ambientalista ou de diplomata. Clima tem a ver com o nosso dia a dia”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/cop30-financiamento-transicao-e-adaptacao-sao-centro-das-negociacoes
