Riskclima: IA mapeia vulnerabilidade climática e propõe soluções no Brasil

Câmara aprova projeto que facilita parceria para enfrentar calamidades

© Gustavo Mansur/Palácio Piratini

Um estudo inovador da Universidade Federal Fluminense (UFF), denominado Riskclima, está utilizando inteligência artificial e outras ferramentas avançadas para identificar as áreas mais vulneráveis do Brasil aos eventos climáticos extremos e seus impactos sociais. Financiado pelo CNPq e com previsão de duração até 2026, o projeto busca, a partir da análise de dados climáticos das últimas seis décadas e projeções futuras, propor soluções específicas para melhorar a qualidade de vida da população em cada localidade.

O coordenador do projeto, Márcio Cataldi, professor do Lammoc/UFF, explica que o objetivo é “criar um relatório executivo e, de alguma maneira, tentar fazer com que ele possa contribuir para criação de políticas públicas”. A pesquisa avalia os perigos prevalecentes em cada região do país e levanta ações para mitigar o impacto climático, utilizando a IA para refinar modelos climáticos globais e adaptá-los à realidade brasileira.

Na Região Norte, por exemplo, o estudo identificou um aumento preocupante das ondas de calor, superando outras regiões do país em intensidade. “A gente tem observado o aumento das ondas de calor e desenvolveu durante o projeto um índice de onda de calor, que tinha aplicado na Europa. Quando a gente aplica esse índice para o Brasil, para nossa surpresa, a região onde as ondas de calor estão mais intensas nos últimos dez anos foi a Região Norte”, alertou Cataldi.

No Sul, a preocupação maior são as chuvas intensas, causadas pelo aumento dos bloqueios atmosféricos. Já no Centro-Oeste, assim como no Sudeste, a seca persistente é o principal desafio, com a diminuição da umidade do solo impactando a agricultura, o abastecimento de água e a geração de energia. “Cada setor exige uma solução específica”, ressalta Cataldi, defendendo a priorização da água como questão nacional.

O projeto Riskclima também analisa os impactos dos problemas climáticos na saúde pública, como a piora da qualidade do ar devido aos bloqueios atmosféricos e o aumento de casos de desidratação e problemas cardiovasculares durante ondas de calor.

Antes de sua conclusão em 2026, o Riskclima pretende apresentar um relatório executivo às autoridades brasileiras, com propostas de soluções e políticas públicas para mitigar os diferentes problemas climáticos identificados. “O importante é sentar com as autoridades, mostrar a urgência de implementação dessas políticas e nos colocar à disposição, como universidade pública, para ajudar a começar a mitigar os problemas climáticos”, enfatiza Cataldi.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/projeto-mapeia-locais-com-vulnerabilidade-climatica-e-sugere-solucoes

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