Atlas da Violência 2025: Crime se interioriza e facções avançam em cidades menores, mas homicídios caem no país
© Fernando Frazão/Agência Brasil
O Atlas da Violência 2025, divulgado nesta sexta-feira (7) pelo Ipea em parceria com o FBSP, aponta para uma mudança no padrão da violência no Brasil, com a interiorização do crime e a expansão das facções para cidades médias e pequenas. O estudo revela que capitais como Goiânia, Fortaleza, São Luís, Cuiabá e o Distrito Federal registraram reduções significativas nas taxas de homicídio entre 2013 e 2023, superiores a 60%.
Essa diminuição da violência em grandes centros urbanos, contudo, contrasta com o aumento da criminalidade e das disputas entre facções em municípios do interior, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O relatório destaca que as facções criminosas estão presentes em todas as unidades da federação, mas de forma desigual, com disputas territoriais intensas em estados como a Bahia e Pernambuco, enquanto em São Paulo e Minas Gerais há uma convivência mais estável entre grupos rivais.
O Atlas da Violência 2025 também aborda a infiltração do crime organizado em atividades lícitas e na gestão pública, alertando para a ameaça que isso representa ao Estado Democrático de Direito. Em contrapartida, o estudo identifica avanços em políticas públicas de segurança, que combinam ações preventivas, qualificação policial e o uso de inteligência integrada.
Apesar da redução geral dos homicídios no país desde 2018, o levantamento mostra que, em 2023, as cidades médias apresentaram uma taxa média de homicídios por 100 mil habitantes ligeiramente superior à dos municípios grandes, indicando uma desconcentração da violência letal.
O relatório critica a Operação Contenção realizada no Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, classificando-a como um “espetáculo midiático” que não contribui para a segurança pública. “Há pelo menos 40 anos, essas ações policiais baseadas na brutalidade e no entra e sai nas comunidades se reptem sem qualquer sinal de efetividade no sentido de reduzir o poder do CV, muito pelo contrário. Como resultado da operação 121 pessoas foram mortas, 118 armas foram apreendidas e 113 pessoas foram presas, dos quais 54 possuíam alguma anotação criminal”, aponta o Atlas. O estudo alerta que as mortes decorrentes da operação podem gerar disputas no mercado criminal, especialmente em estados como Pará, Amazonas, Bahia, Ceará e Goiás.
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro (SEPM) informou que atua de maneira ostensiva para desmobilizar facções criminosas e prender seus integrantes, com investimentos em tecnologia, inteligência e estratégia. A SEPM afirma que, somente este ano, já prendeu mais de 29 mil pessoas e apreendeu mais de 4.200 armas de fogo, além de remover barricadas nas vias.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-11/expansao-das-faccoes-aumenta-criminalidade-nas-cidades-do-interior
