EUA oferecem “apoio” ao Rio: Especialistas criticam ingerência e violação de soberania

Especialistas consideram inadequada nota de apoio dos EUA ao Rio

© Alan Santos/PR

A oferta de apoio do governo dos Estados Unidos à Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, após a operação que resultou em 121 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, tem gerado controvérsia e levantado debates sobre soberania e ingerência. Especialistas apontam que a atitude, embora reincidente, é inadequada, e relembram casos como o da Lava Jato, em que a relação direta com o FBI por autoridades brasileiras gerou questionamentos.

Raphael Lana Seabra, professor da UnB, classifica a oferta como “incomum e inadequada”, destacando a importância de uma solução nacional para o enfrentamento do crime organizado, focando nas fontes de recursos e não apenas na base da pirâmide. Ele critica a postura de buscar apoio externo, ressaltando que a questão é de responsabilidade interna.

Bruno Lima Rocha, da Unifin, compara a situação com as ações dos EUA durante a Guerra Fria, e alerta para a “paradiplomacia”, que pode levar à subordinação a governos estrangeiros. Ele critica a ideia de classificar facções do tráfico como terroristas, argumentando que o terrorismo tem motivações ideológicas e políticas, e não apenas de acumulação de riqueza. “O terrorismo tem motivação doutrinária, religiosa, ideológica, política. É um projeto de poder, e não um projeto de acumulação de riqueza. É uma situação muito arriscada, principalmente neste período pré-eleitoral, em meio às tensões vividas em todo o continente”, acrescenta Rocha.

Ambos os especialistas criticam a postura dos EUA em relação à soberania de outros países, citando o caso da Venezuela, onde Trump admitiu ter autorizado operações secretas da CIA. Seabra ressalta que “Eles bombardeiam e assassinam as pessoas, sem muito critério. A questão da Venezuela está mostrando que [os EUA] violam soberanias em nome de um terrorismo supostamente cometido pelo narcotráfico”.

Diante do ocorrido, Bruno Rocha defende uma resposta conjunta das autoridades federais, como Polícia Federal e Itamaraty, e sugere tipificar atitudes de subordinação a governos estrangeiros como violação de soberania e crime de traição à pátria.

Em nota, o governo do Rio de Janeiro afirmou que mantém troca de informações com instituições de combate ao narcotráfico dos EUA e de outros países, mas ressaltou que “essa interlocução nada tem a ver com qualquer permissão a ações do governo americano em solo brasileiro. Até porque não é permitido pela legislação brasileira”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-11/especialistas-consideram-inadequada-nota-de-apoio-dos-eua-ao-rio

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