Marcele Oliveira: A voz da juventude na COP30 e a luta por justiça climática

Liderança jovem da COP quer justiça climática no centro da conferência

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Há cerca de seis meses, a ativista climática Marcele Oliveira, de 26 anos, assumiu o posto de Campeã de Juventude da COP30, atuando como elo entre as vozes juvenis e as decisões climáticas globais. Selecionada entre 154 inscritos, Marcele se destaca por sua experiência no ativismo e capacidade de mobilização.

Em entrevista, Marcele compartilhou sua trajetória desde Realengo, no Rio de Janeiro, onde notou as disparidades na distribuição de áreas verdes e lazer, até a luta pelo Parque de Realengo Verde, que a introduziu ao conceito de racismo ambiental. “Na verdade, existe uma escolha que é política, que é social, de lugares que vão ser mais arborizados e, por isso, vão ser, inclusive, mais frescos”, explicou.

Sua atuação no movimento resultou na Agenda Realengo 2030 e na criação de políticas públicas para parques urbanos em periferias do Rio. Nas conferências globais, Marcele busca trazer as demandas dos territórios, como “parques verdes, por hortos comunitários, por cozinhas solidárias, por tetos verdes”, para o centro do debate.

Sobre o processo seletivo, Marcele destacou a organização do movimento de juventude para priorizar uma pessoa de periferia, negra ou indígena. “Na verdade, eu fui a pessoa que foi nomeada, mas muitas das pessoas que participaram dessa seleção trabalham no nosso mandato ou estão na nossa rede de mandato”, afirmou, ressaltando a importância da participação social.

Como embaixadora, Marcele busca reconhecer e valorizar os projetos das juventudes que protegem a natureza, mesmo que não tenham visibilidade internacional. Ela enfatiza que “todo mundo precisa ser ativista climático, ativista ambiental, independentemente de onde mora”, e que a luta é por justiça ambiental e climática.

Para a COP30 em Belém, Marcele espera que o Brasil lidere as discussões com foco na implementação de acordos, considerando as responsabilidades desproporcionais e a necessidade de abordar questões de colonialismo e escravidão. Ela almeja uma conferência que impulsione o financiamento para adaptação climática e valorize as tecnologias ancestrais dos territórios.

“A chamada global do mutirão é sobre como que a gente pode fazer a passagem da COP30 pelo Brasil ser também a maior movimentação por justiça climática da nossa geração?”, questiona, visando um legado duradouro de justiça climática no país.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-10/lideranca-jovem-da-cop-quer-justica-climatica-no-centro-da-conferencia

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