Operação Contenção no Rio: Famílias de vítimas entre alívio, dor e questionamentos.
© Joédson Alves/Agência Brasil
No Rio de Janeiro, as famílias das vítimas da Operação Contenção, realizada no Complexo da Penha e do Alemão, iniciaram o processo de liberação dos corpos no Instituto Médico Legal (IML). A Polícia Civil informou que, até o dia 31, restavam apenas oito corpos a serem identificados.
Em meio ao alívio pelo encerramento da busca por entes queridos, a indignação com a operação é latente. Karine Beatriz, grávida, compareceu ao IML para reconhecer o corpo de seu esposo, Wagner Nunes Santana, encontrado em um lago na Serra da Misericórdia, após três dias de procura. Em seu relato, Karine questiona a letalidade das operações policiais e o impacto na comunidade: “Após três dias de buscas consegui localizar o corpo, mas alívio eu só vou ter com repostas para as perguntar que não vão calar: ‘de onde vem pena de morte, se existe presídio, presídio é apenas enfeite? Até quando vai isso?'”. Ela também destacou o papel de Wagner como pai de família e trabalhador, ressaltando que “Independente dos erros dele, ele era trabalhador, era família”. Karine ainda denunciou execuções durante a ação policial, afirmando que “Eles não vieram prender ninguém, eles foram para matar”.
De acordo com o último balanço, 99 pessoas foram identificadas pelo IML, sendo que 42 possuíam mandados de prisão pendentes e 78 tinham envolvimento com atividades criminosas. A operação identificou a presença de indivíduos de outros estados, como Pará, Bahia, Amazonas, Ceará, Paraíba e Espírito Santo.
O governo do estado justificou a Operação Contenção como uma medida para conter a expansão do Comando Vermelho, alegando que as investigações apontavam para o treinamento de membros em armamento e táticas de combate nas áreas alvo. As apurações também indicaram que o fluxo de caixa da facção nessas localidades movimentava cerca de 10 toneladas de drogas por mês, utilizando o Alemão e a Penha como centros de distribuição de drogas e armas.
Apesar das críticas quanto à eficácia e aos custos da operação, bem como à não prisão dos principais líderes da facção, o governador Cláudio Castro defendeu a ação, afirmando que “Tendo em vista estes resultados, a gente vê que o trabalho de investigação e inteligência foi adequado, todos perigosos e com ficha criminal”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-11/ultimos-corpos-de-pessoas-assassinadas-em-operacao-no-rio-deixam-o-iml
