Drama e revolta marcam espera por corpos de vítimas da Operação Contenção no Rio

Famílias de mortos em operação no Rio reclamam de falta de informação

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Familiares das vítimas da Operação Contenção, que aguardavam a liberação dos corpos, expressaram forte descontentamento com a morosidade do processo de perícia e a escassez de informações. O Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, devido ao elevado número de óbitos – 121 no total, incluindo quatro policiais – está concentrado exclusivamente nessa demanda. Um posto do Detran, localizado ao lado do IML, foi disponibilizado para atender os familiares.

Samuel Peçanha, pai de Michel Mendes Peçanha, de 14 anos, relatou a angústia de buscar informações sobre o filho desde o dia da operação. “Faz dois dias que eu estou procurando alguma informação. Falaram que eles vão ligar, mas ninguém liga, ninguém fala nada. No dia da ocorrência, eu falei com ele às 8h40 da manhã, ele me disse que mais tarde iria pra casa. Depois disso o telefone dele se calou. O comentário do pessoal lá da comunidade é que eles empurraram todo mundo para a mata. É nosso filho. A gente quer pelo menos ter o direito de enterrar”, desabafou.

Lívia de Oliveira, esposa de Douglas de Oliveira, compartilhou o mesmo sentimento de aflição. “Todo mundo está vindo aqui desde terça-feira tentando achar uma resposta. Infelizmente é sempre isso, dizem que ele ainda não foi identificado, que tem que esperar porque são muitos corpos. Como a gente deita a cabeça no travesseiro e dorme? Não tem como, é agoniante”, lamentou.

Os pais de Yago Ravel, de 19 anos, precisaram da intervenção de deputados para conseguir reconhecer o corpo do filho, encontrado decapitado. O pai, Alex Rosário da Costa, criticou ter sido obrigado a assinar o atestado de óbito sem poder ver o corpo. “O meu filho foi espancado, depois ele foi executado e arrancaram a cabeça dele. Em nenhum momento eu pude ver o corpo dele. Ele foi encontrado com o corpo no chão de braços abertos e a cabeça dele em cima de uma árvore. Isso é uma carnificina”, declarou.

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que a identificação das vítimas da Operação Contenção deve ser concluída até o final de semana. Até o momento, 100 corpos foram identificados, mas os nomes não foram divulgados.

Além da espera angustiante, as famílias enfrentam dificuldades com os custos funerários, tendo que optar entre um sepultamento particular, com valor mínimo de R$ 4 mil, ou o enterro gratuito oferecido pela prefeitura, que não inclui velório e é realizado com caixão fechado. A Defensoria Pública instalou um posto no IML para auxiliar nos trâmites do serviço gratuito.

Segundo o defensor público André Castro, mesmo que a família não se enquadre nos critérios para o enterro gratuito, é possível ter acesso ao serviço mediante o pagamento de uma tarifa social. “Não precisa de ação judicial, nem nada do tipo. A gente está fazendo a orientação para as famílias e o contato é direto com as funerárias que fazem o serviço. Mas nós fazemos uma crítica há bastante tempo pelo fato de ser apenas em caixão fechado e sem velório. Não são condições que nós consideramos dignas para essa despedida dos seus entes queridos. Mas muitas família realmente não têm condições de pagar, esse tem sido um pedido central na nossa atuação aqui nos últimos dias”, explicou.

A Operação Contenção, realizada pelas polícias Civil e Militar, teve como objetivo conter o avanço da facção Comando Vermelho e cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão. A ação envolveu 2,5 mil policiais, resultou em 113 prisões, apreensão de 118 armas e 1 tonelada de drogas. A operação é considerada a maior e mais letal dos últimos 15 anos no estado, gerando pânico e impactando o funcionamento de serviços essenciais.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-10/familias-de-mortos-em-operacao-no-rio-reclamam-de-falta-de-informacao

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