PF considerou “não razoável” participar de operação com mais de 130 mortos no Rio
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Após reunião com o presidente Lula em Brasília, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que a PF tinha conhecimento do planejamento da Operação Contenção no Rio de Janeiro, mas considerou a ação “não razoável” para justificar a participação da instituição. Segundo Rodrigues, a superintendência regional da PF foi consultada sobre a possibilidade de apoio no cumprimento de mandados, mas a participação foi descartada devido à “falta de atribuição legal”, já que a PF se concentra na investigação e não na ação ostensiva. A PF também alega não ter sido comunicada sobre a deflagração da operação.
Rodrigues explicou que a decisão de não participar foi tomada após análise do planejamento operacional. “A partir da análise do planejamento operacional, a nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para que a gente participasse”, afirmou. Ele acrescentou que houve um contato operacional informando sobre a operação, mas sem detalhes do planejamento, e que a PF entendeu que “não era o modo que a Polícia Federal atua, o modo de fazer operações”.
A Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, resultou em mais de 130 mortes, sendo considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, superando o número de violações do Massacre do Carandiru. O governo do estado classificou a operação como “um sucesso”, afirmando que as vítimas reagiram com violência. Foram realizadas 113 prisões.
Enquanto isso, especialistas criticaram a ação, alegando que não atingiu o objetivo de conter o crime organizado. Ativistas que acompanharam a retirada de corpos em áreas de mata denunciaram a operação como um “massacre”.
Rodrigues ressaltou que a Polícia Federal continua atuando no Rio de Janeiro, focada na investigação e seguindo as diretrizes do STF na ADPF das Favelas. “Já estruturamos um grupo de trabalho que está atuando lá nessa questão de atividade de inteligência, instauração de inquérito policial e a determinação também, da própria decisão do Supremo, para que COAF e Receita Federal atuem coordenadamente conosco, trazendo mais elementos para a Polícia Federal atuar”, disse. Ele enfatizou que a PF atua com inteligência e estratégia, visando descapitalizar o crime organizado e prender lideranças.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-10/nao-era-razoavel-diz-PF-sobre-planejamento-da-operacao%20no-rio
