Intoxicação por Metanol: Ações e Desdobramentos 30 Dias Após os Primeiros Casos

Rio investiga cinco casos suspeitos de intoxicação por metanol

© Governo de SP

Após um mês da identificação dos primeiros casos suspeitos de intoxicação por metanol em bebidas, órgãos públicos intensificaram a atuação em diversas frentes. Testagens foram agilizadas para confirmação ou descarte de casos, e hospitais de referência foram organizados, inclusive em estados sem confirmação de contaminação imediata. Os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) lideraram a detecção, enquanto a vigilância sanitária e as polícias focaram em locais de venda e consumo.

A investigação apontou para a falsificação de bebidas como causa provável, com uso de álcool combustível adulterado contendo metanol. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) emitiu um alerta após a detecção do Ciatox de Campinas (SP). A descoberta dos postos de combustível que vendiam o produto adulterado no ABC paulista ocorreu 20 dias depois, período em que foram registrados 58 casos de contaminação e 15 mortes, majoritariamente em São Paulo. A origem dos casos no Paraná e Pernambuco ainda está sob investigação.

O Ciatox já havia alertado sobre os casos atípicos de intoxicação por bebidas adulteradas em 26 de setembro. Em 7 de outubro, o governo federal criou um comitê para enfrentar a crise e anunciou medidas como a distribuição de etanol farmacêutico e a aquisição do antídoto fomepizol. No dia seguinte, a Polícia Científica de São Paulo confirmou que o metanol foi adicionado às bebidas, descartando a possibilidade de ser resultado do processo de destilação.

A ação integrada permitiu respostas mais rápidas dos laboratórios estaduais e amenizou o impacto no comércio, que registrou queda de até 5% no consumo em setembro, segundo a Abrasel. Em 17 de outubro, a Polícia Civil de São Paulo localizou os postos de combustível que forneciam o metanol. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, “O primeiro ciclo foi fechado. Vamos continuar as diligências para identificar a origem de todas as bebidas adulteradas no estado”.

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um “nariz eletrônico” capaz de identificar a presença de metanol em bebidas alcoólicas. De acordo com o professor Leandro Almeida, o equipamento “transforma aromas em dados. Esses dados alimentam a inteligência artificial que aprende a reconhecer a assinatura do cheiro de cada amostra”.

O último boletim divulgado, em 24 de outubro, confirmou 58 casos de intoxicação e 15 mortes, sendo nove em São Paulo, seis no Paraná e seis em Pernambuco. Nove óbitos seguem em investigação em diferentes estados. Na esfera legislativa, uma CPI será instalada na capital paulista e o PL 2307/07, que torna crime hediondo a adulteração de alimentos e bebidas, pode ser votado na Câmara dos Deputados.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-10/metanol-crise-completa-um-mes-com-alerta-para-falsificacao-de-bebidas

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