Ex-diretor do INSS nega ligações políticas e repasses ilegais em depoimento à CPMI
© Lula Marques/ Agência Braasil.
O ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação do INSS, Alexandre Guimarães, negou em depoimento à CPMI do INSS, ter conexões com políticos durante sua carreira em órgãos públicos, afirmando que obteve seus cargos através da distribuição de currículos a parlamentares. Apesar da declaração, ele admitiu ter sido indicado ao INSS após uma breve reunião com o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).
Guimarães é investigado por suspeita de ter recebido R$ 313 mil de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador de um esquema de fraudes em benefícios previdenciários. Em sua defesa, o ex-diretor confirmou ter conhecido Antunes em 2022 e justificou os repasses como pagamento por material de educação financeira fornecido por sua empresa a uma consultoria de Antunes e seu filho. Ele admitiu que a empresa de “Careca do INSS” era sua única cliente e que encerrou a prestação de serviços após a Polícia Federal desmantelar o esquema.
O ex-diretor negou qualquer participação em acordos entre o INSS e as entidades envolvidas nos descontos ilegais, alegando ter tomado conhecimento do esquema somente após a operação da PF.
Em resposta, o deputado Pettersen confirmou a possibilidade do encontro com Guimarães, mas negou qualquer irregularidade: “Posso realmente ter me reunido com ele, como com tantos outros que buscam apoio para indicações em órgãos públicos. Cada indicado é responsável por suas ações”.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), expressou a intenção de convocar Pettersen e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) para prestar esclarecimentos. Há um requerimento formal para a convocação de Rocha, sob a alegação de que ele teria recebido “Careca do INSS” em seu gabinete. A CPMI deverá votar os pedidos de convocação e a ampliação das quebras de sigilo dos investigados.
O senador Weverton Rocha, por sua vez, manifestou estranheza com a menção de seu nome, afirmando não ser alvo de investigação: “Acho estranha essa menção, já que não sou investigado nem citado em nenhuma apuração. Na minha opinião, o relator deve se concentrar em oferecer respostas concretas para combater as fraudes no INSS”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-10/ex-diretor-do-inss-nega-vinculo-politico-em-depoimento-cpi
