CEI da Câmara Interroga Diretor do Limpa Gyn sobre Contrato de R$ 500 Milhões
CEI da Câmara ouve diretor executivo do Limpa Gyn sobre contrato de R$ 500 milhões
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Goiânia iniciou a fase de oitivas para apurar a execução do contrato de mais de R$ 500 milhões entre o consórcio Limpa Gyn e a Prefeitura, referente a serviços de coleta, transporte e varrição de resíduos. O primeiro a depor foi o diretor executivo do consórcio, Renan Souza Oliveira Andrade, que respondeu, durante quase três horas, a questionamentos dos vereadores sobre o cumprimento do contrato 020/2024.
Os vereadores levantaram questões sobre a transparência na prestação de contas, a situação da frota em operação, a fiscalização dos serviços e a ausência de tecnologia na pesagem do lixo descartado no aterro sanitário. A possibilidade de contratação de uma auditoria independente para verificar a correspondência entre o valor pago pela Prefeitura e os serviços executados também foi debatida.
Em sua defesa, Renan Andrade negou falhas nos serviços e afirmou que o consórcio cumpre rigorosamente o edital, utilizando mecanismos de monitoramento como rastreamento por GPS, relatórios mensais de atividade e fiscais nas ruas. Ele também garantiu que o número de caminhões compactadores em uso supera o previsto em contrato.
O diretor da Limpa Gyn admitiu que houve mistura de lixo orgânico com recicláveis no início da operação, mas atribuiu o problema à divisão inicial da coleta entre o consórcio e a Comurg. Ele destacou que o consórcio recolhe, em média, 42 mil toneladas de lixo domiciliar e 70 a 75 mil toneladas de entulhos por mês, destinando cerca de 3,4 mil toneladas de recicláveis às cooperativas.
Renan Andrade ressaltou que o consórcio é responsável apenas pela coleta e transporte do lixo, e não pelo descarte no aterro sanitário. Sobre a varrição mecanizada, informou que é realizada nas principais avenidas da cidade no período noturno, ao custo de R$ 114 por quilômetro linear varrido. Ele não soube explicar o motivo do pedido de confidencialidade em documentos do contrato.
O presidente da CEI, vereador Welton Lemos (Solidariedade), apontou falhas na pesagem manual do lixo no aterro sanitário, que não possui sistemas digitais. Welton Lemos ainda afirmou que a comissão analisará a proposta do vereador Ronilson Reis (Solidariedade) sobre a contratação de auditoria para atestar se o pagamento feito pela Prefeitura ao consórcio corresponde ao serviço prestado. Ronilson requereu relatório completo dos volumes descartados pelo Limpa Gyn, nos últimos seis meses, no aterro sanitário.
O relator da CEI, vereador Willian Veloso (PL), criticou lacunas nas respostas do diretor e a falta de recursos tecnológicos diante do valor do contrato. Ele afirmou que Renan Andrade poderá ser convocado para novos esclarecimentos. “É perfeitamente possível convocarmos o depoente para uma nova oitiva, visto que ainda temos de confrontar informações repassadas por ele com documentos que recebemos”, disse Veloso.
A vereadora Aava Santiago (PSDB), vice-presidente da CEI, classificou como “minucioso” o trabalho da comissão e ressaltou a importância de checar todas as informações e identificar a ausência de documentos. “Precisamos checar todas as informações e identificar se há ausência de documentos sobre o que foi informado”, ressaltou. “Nesse processo, a escuta dos fiscais de contrato e dos representantes das cooperativas é fundamental para fazer o ‘tira-teima’ do que ouvimos hoje”, argumentou.
A CEI continuará as oitivas com gestores, fiscais do contrato e representantes de cooperativas, e não descarta a realização de reuniões extras nas próximas semanas.
Fonte e Fotos: Câmara Municipal de Goiânia
