PIB: Banco Central projeta crescimento de 1,5% em 2026 e inflação acima da meta
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O Banco Central do Brasil (BC) reviu suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos. A estimativa para 2025 foi ajustada para 2%, ligeiramente abaixo dos 2,1% previstos anteriormente em junho. Para 2026, a projeção é de um crescimento de 1,5%, conforme dados divulgados no Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre de 2025.
A revisão para baixo em 2025, segundo o BC, reflete incertezas no cenário internacional, como o possível aumento de tarifas de importação pelos Estados Unidos, contrabalanceadas por perspectivas mais positivas para a agropecuária e a indústria extrativa. Já a expectativa de menor crescimento em 2026 considera a continuidade de uma política monetária restritiva, a desaceleração da economia global e a ausência do forte desempenho da agropecuária observado em 2025.
O relatório do BC também aborda a inflação, que permanece acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 3%, com tolerância de 1,5% para mais ou para menos. As projeções da pesquisa Focus indicam que a inflação deve se manter elevada em 2025 e 2026, atingindo 4,8% e 4,3%, respectivamente. A expectativa é que a inflação se aproxime do centro da meta apenas no primeiro trimestre de 2027, chegando a 3,4%.
Em relação ao crédito, o BC elevou a projeção de crescimento do saldo para 8,8% em 2025, impulsionada pelo desempenho do crédito direcionado às empresas. No entanto, para 2026, espera-se uma desaceleração, com crescimento de 8%, refletindo uma redução tanto no crédito para pessoas físicas quanto para empresas.
O mercado de trabalho, por sua vez, continua aquecido, com a taxa de desemprego em agosto registrando 4,3%, um patamar considerado historicamente baixo. A geração de empregos com carteira assinada desacelerou, com uma média de 113 mil postos de trabalho criados por mês no trimestre maio-julho, conforme dados do Novo Caged. Apesar dessa desaceleração, o BC ressalta que a geração líquida de empregos permanece em um nível historicamente elevado. O rendimento médio do trabalho também tem apresentado crescimento em termos reais, impulsionado pelos ganhos entre trabalhadores informais.
Diante desse cenário, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a condução da política monetária, afirmando que ela está no caminho “que deve ser feito”. Ele enfatizou a importância de manter a inflação sob controle para preservar a renda do trabalhador e garantir a continuidade do bom desempenho da atividade econômica e do mercado de trabalho. Galípolo também comentou sobre a decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15%, ressaltando que o papel do Banco Central, por vezes, requer decisões que podem desagradar alguns setores.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-09/banco-central-preve-crescimento-do-15-do-pib-em-2026
