Tarifaço de Trump: Um mês de negociações, impactos e defesa da soberania brasileira

Medidas de apoio e defesa da soberania marcam 1 mês de tarifaço

© Arquivo/26.07.2012/Tânia Rêgo/Agência Brasil

O aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras completa um mês neste sábado, marcando um período de intensas negociações, defesa da soberania nacional e implementação de medidas de apoio às empresas brasileiras.

Em julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, comunicou ao presidente Lula, por meio de carta, a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras. A justificativa apresentada foi o déficit comercial americano e o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Contrariando a alegação de Trump, o Brasil argumenta que acumula um déficit comercial de quase US$ 410 bilhões com os EUA nos últimos 15 anos.

Apesar das tentativas de negociação, Trump confirmou as medidas de retaliação em 30 de julho, com início em 6 de agosto. Uma lista de cerca de 700 produtos foi isenta do tarifaço, incluindo suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis. A Embraer, exportadora de grande porte para os EUA, foi uma das beneficiadas pelas isenções.

Os produtos isentos representam 44,6% das exportações brasileiras para os EUA, mantendo uma tarifa de até 10%. O tarifaço “cheio” incide sobre 35,9% das exportações, somando a tarifa de 10% já existente com uma adicional de 40%. Outros 19,5% das vendas estão sujeitas a tarifas específicas, como autopeças e automóveis, com alíquota de 25%.

Cálculos do vice-presidente Geraldo Alckmin indicam que o tarifaço de Trump afeta 3,3% das exportações brasileiras. Mesmo após a implementação das tarifas, o governo e empresários brasileiros continuaram as negociações com os americanos. Alckmin se reuniu com o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relatou o cancelamento de uma reunião com o secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, atribuindo o fato à articulação da extrema-direita americana. A Polícia Federal indiciou Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, sob suspeita de participação na articulação do tarifaço.

O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço, alegando violação de compromissos assumidos pelos EUA. Internamente, o país iniciou ação para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, permitindo a aplicação de contramedidas tarifárias. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende cautela e insiste na negociação.

O aumento de tarifas encarece os produtos brasileiros nos EUA, impactando a competitividade. O estado do Ceará decretou situação de emergência, sendo o estado com maior dependência das exportações para os EUA. O governo cearense adotou medidas para mitigar os efeitos negativos, como a compra da produção de alimentos de empresas afetadas.

Em resposta aos efeitos do tarifaço, o governo federal lançou o Plano Brasil Soberano, com linhas de crédito de R$ 30 bilhões para financiar negócios exportadores. O BNDES também participa do pacote com um acréscimo de R$ 10 bilhões em recursos.

Em agosto, primeiro mês com os efeitos do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA caíram 18,5% em comparação com agosto de 2024. Apesar disso, as exportações brasileiras cresceram 3,9% no geral, impulsionadas pelas vendas para outros parceiros comerciais, como China e Argentina.

A economista Lia Valls Pereira, da Uerj e Ibre/FGV, avalia que a queda nas exportações para os EUA reflete o tarifaço. O economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, observa que o tarifaço não teve um impacto significativo na inflação brasileira, devido à lista de produtos isentos.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-09/medidas-de-apoio-e-defesa-da-soberania-marcam-1-mes-de-tarifaco

What do you feel about this?