Tortura na Guerra: Estratégia russa e a busca por justiça na Ucrânia, segundo a ONU

Relatora da ONU alerta para tortura em guerra entre Rússia e Ucrânia

© UNHumanRightsCouncil/Reproduçã

Goiânia, [Data da Publicação] – A relatora especial das Nações Unidas sobre Tortura, Alice Jill Edwards, denuncia que a tortura e os maus-tratos a prisioneiros são parte da estratégia de guerra entre Rússia e Ucrânia. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Edwards, que visitou a Ucrânia após a invasão russa em 2022, defende que reparações para as vítimas de ambos os lados sejam incluídas nas negociações de paz.

Edwards, que trabalha para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), detalhou relatos obtidos de ex-prisioneiros, familiares e advogados. Documentos da ONU revelam denúncias de tortura com choques elétricos, abusos verbais, espancamentos, simulações de execução e afogamento. Há ainda relatos de pessoas forçadas a permanecer em posições de estresse, ameaçadas de violência sexual e submetidas a “cerimônias de humilhação”. Os maus-tratos incluem fome, celas insalubres, violência sexual e isolamento, com casos de violência resultando em morte.

A relatora da ONU destaca que a tortura é utilizada pela Rússia para extrair informações, incutir medo e punir apoiadores da Ucrânia, sendo organizada e rotineira. Edwards também menciona alegações de tortura por forças ucranianas contra prisioneiros russos, que também devem ser investigadas.

Enquanto a Ucrânia permitiu acesso livre aos locais de detenção, a Rússia negou os pedidos de visita da relatora às áreas ocupadas. Edwards visitou um campo de prisioneiros de guerra em Lviv, na Ucrânia, e teve acesso a dezenas de testemunhos de vítimas de tortura russa.

A representante da ONU ressalta que o direito internacional, por meio das Convenções de Genebra, garante tratamento humano aos prisioneiros de guerra, que têm status especial de proteção. Ela enfatiza que a tortura é proibida em todas as circunstâncias e constitui crime de guerra e crime contra a humanidade.

Edwards defende que a paz não será alcançada apenas com soluções de segurança e território, e que as violações devem ser investigadas mesmo após um acordo de paz, pois o dever de investigar e processar a tortura é uma obrigação sem limite temporal.

A invasão russa de 2022 está ligada à disputa de influência no Leste Europeu e à busca por segurança russa após o fim da União Soviética. A aproximação da Ucrânia com a Europa Ocidental é vista como uma ameaça pela Rússia. As negociações de paz enfrentam dificuldades, especialmente na definição do futuro das províncias ocupadas no leste da Ucrânia.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-08/relatora-da-onu-alerta-para-tortura-em-guerra-entre-russia-e-ucrania

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