Diplomacia brasileira recebe goiana Helen Borgens na primeira vaga específica para quilombolas

Goiana, Helen Borgens toma posse como diplomata em vaga inédita para quilombolas

Helen Jaine Gomes Borgens. Foto: Embassy Agência de Notícias

A diplomata quilombola Helen Jaine Gomes Borgens tomou posse no Ministério das Relações Exteriores aos 25 anos e se tornou a primeira candidata aprovada em uma vaga reservada especificamente a quilombolas no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Natural de Goiânia e integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no nordeste de Goiás, Helen participou da cerimônia realizada em Brasília, em 4/11. Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela concluiu o curso em 2025 e foi aprovada em maio de 2026.

A nova turma do Instituto Rio Branco

A seleção de 2026 ofereceu 60 vagas para a carreira diplomática. Pela primeira vez, o concurso ocorreu sob a Lei nº 15.142/2025, que ampliou a política de cotas nos concursos públicos federais. Do total, duas vagas foram destinadas a indígenas e uma a quilombolas.

Também tomaram posse Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Achkar de Mendonça Pinto, do povo Terena. A turma de 2026 a 2028 reúne 60 integrantes, sendo 27 pertencentes a grupos com menor presença na diplomacia brasileira. As mulheres correspondem a 45% dos ingressantes, e a remuneração inicial prevista para o cargo é de R$ 22.558.

O CACD é o processo de seleção para ingresso na carreira diplomática. Depois da aprovação, os novos servidores passam pelo curso de formação do Instituto Rio Branco, em Brasília, antes de seguirem na carreira.

A trajetória da diplomata quilombola

Helen cresceu em Simolândia e estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto. O interesse pela diplomacia começou em 2017, depois que um professor de História apresentou a profissão durante um cursinho preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Durante a graduação, ela chegou a cogitar abandonar o curso, mas retomou o projeto profissional depois de estudar Política Externa Brasileira. Ao Jornal UFG, antes da posse, relatou que encontrou dificuldades para ter acesso a professores especializados no município e que aprendeu inglês por conta própria. Sobre a aprovação, afirmou: “Para mim é uma honra, porque é uma categoria pouco representada, com pouca voz”.

A aprovação de Helen é a primeira em uma vaga específica para quilombolas. Antes dela, a também goiana Rebeca Mello, descendente da comunidade Kalunga, em Cavalcante, havia passado em 2017 pela reserva destinada a pessoas negras e conseguiu, em 2022, o reconhecimento para ingressar na carreira após uma disputa judicial.

Com informações do Rota Jurídica

Redação Extra News Goiás
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