Ranking da consultoria Moneyou aponta Brasil com maior juro real entre 40 países

Relatório do BC prevê alta de 2,1% do PIB e queda da inflação em 2025

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Segundo ranking divulgado pela consultoria de mercado Moneyou, os juros reais no Brasil chegaram a 9,05% e ficaram no maior nível entre 40 países analisados. O índice brasileiro supera em mais de sete vezes a média do levantamento, de 1,27%.

A lista coloca o país à frente de Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia. O cálculo desconta a inflação da taxa de juros de cada economia. No levantamento publicado em setembro, o Brasil também aparecia na primeira posição, mas com juro real de 8,45%.

Juros pressionam a dívida pública

Dados do Banco Central apontam os juros elevados como a principal causa do crescimento da dívida pública. No período de 12 meses, o custo dos juros passou de R$ 1,1 trilhão, equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

A dívida pública saiu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agentes do mercado financeiro passaram a cobrar um corte de gastos como medida para estabilizar a dívida.

Economistas críticos à política monetária do Banco Central defendem uma alternativa que ajude a reduzir os juros. Para esse grupo, as taxas altas são as maiores responsáveis pelo aumento do endividamento público.

A Selic permanece em 13,75%

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompeu a sequência de reduções iniciada em abril.

Em comunicado, o Copom informou que as incertezas aumentaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação continuam acima da meta. O comitê não indicou qual será o caminho dos juros nas próximas reuniões.

A Selic é a taxa básica usada pelo Banco Central para influenciar o custo do crédito e controlar a inflação. O juro real resulta da comparação entre essa taxa e a inflação registrada no país.

No acumulado de 12 meses, o índice de inflação subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta de 4,5%. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a manutenção dos juros e afirmou que a medida eleva os custos para empresas e famílias. O presidente da entidade, Ricardo Alban, declarou: “É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior”.

Créditos da imagem: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


Com informações da Agência Brasil

Redação Extra News Goiás
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