Participantes de conferência em Brasília defendem redes de apoio para ampliar presença no poder
© Valter Campanato/Agência Brasil
Redes de apoio entre mulheres estiveram no centro dos debates da conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, em Brasília. As participantes defenderam a articulação como forma de enfrentar o machismo, combater a desinformação e ampliar a presença feminina em espaços de poder.
O encontro ocorre até sexta-feira (6) e reúne discussões sobre uma justiça mais igualitária no Brasil. Entre os pontos debatidos estão o papel de comunicadoras e produtoras de informação e a necessidade de enfrentar mensagens misóginas disseminadas por grupos radicais.
Apoio entre mulheres fortalece ação
A advogada e influenciadora Sara Gabriela, responsável pela página “Seja a princesa que salva a si mesma”, afirmou que o machismo deve ser tratado como um elemento cultural. O projeto que coordena surgiu em 2019, a partir da experiência no atendimento de clientes vítimas de violência em comunidades no Estado de Goiás. Segundo ela, a mudança depende de transformação cultural e a informação não deve ser suavizada.
Miriane Ferreira, que mantém uma página no Instagram com mais de dois milhões de seguidores, produz vídeos sobre temas jurídicos para ajudar mulheres a reconhecer os próprios direitos. Ela aborda, por exemplo, a possibilidade de reivindicar patrimônio construído durante o casamento, mesmo quando a mulher não exerceu atividade profissional fora de casa.
“As mulheres precisam dessa solidariedade uma das outras para mostrar o poder que têm”, disse Miriane durante a conferência. A advogada Mayra Cotta, criadora da série “Afiadas”, exibida na TV Brasil, afirmou que as mulheres denunciam mais violações, mas enfrentam resistência no Judiciário.
A jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, defendeu que mulheres apoiem outras mulheres que ocupam posições de poder. A cineasta carioca Fernanda Amim associou a abertura desses espaços à produção de histórias, citando o documentário “Reconhecidos”, sobre racismo estrutural e falhas no uso do reconhecimento fotográfico de suspeitos.
Informação entra na disputa por direitos
A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, participou de uma mesa de debates na quinta-feira (5). Ela citou a articulação de deputadas federais e senadoras durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, conhecida como “lobby do batom”: “Um grupo que se organizou para agir politicamente.”
A Assembleia Nacional Constituinte foi o processo de elaboração da Constituição de 1988. Nesse período, parlamentares apresentaram propostas e negociaram mudanças no texto que definiria direitos e regras do país.
Antonia também mencionou que pelo menos 40% dos cargos vitalícios serão nomeados na próxima década, o que, segundo ela, abre possibilidade para a ocupação dessas funções por mulheres no Judiciário. “Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência”, afirmou.
Segundo as participantes, profissionais responsáveis pela produção de informação devem enfrentar conteúdos misóginos e desinformação. Antonia disse ainda que a comunicação pública tem sido alvo frequente de governos extremistas.
Créditos da imagem: © Valter Campanato/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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