Estudantes em vulnerabilidade social se preparam para o Enem em cursinhos populares
© Valter Campanato/Agência Brasil
Cursinhos populares reúnem estudantes de diferentes idades que retomaram os estudos e buscam uma vaga no ensino superior por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Entre os participantes do Enem 2026 estão 13.821 pessoas com mais de 60 anos.
Em uma unidade do Jovem de Expressão, na Ceilândia, no Distrito Federal, Raimundo dos Santos Nascimento, de 62 anos, estuda para tentar ingressar em psicologia na Universidade de Brasília (UnB). Carioca, ele viveu cerca de seis anos em situação de rua no Plano Piloto e concluiu o ensino fundamental na Escola de Meninos e Meninas do Parque, depois de passar pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua. “Agora, com 62 anos, eu me sinto jovem”, afirmou.
As provas ocorrem em dois domingos
O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. Os portões abrirão às 12h e fecharão às 13h, no horário de Brasília. A prova começará às 13h30.
No primeiro domingo, os candidatos responderão a 45 questões de linguagens, códigos e suas tecnologias, 45 de ciências humanas e suas tecnologias, além da redação. O tempo de prova será de cinco horas e 30 minutos. No segundo dia, serão aplicadas as áreas de matemática e ciências da natureza, com duração de cinco horas.
O exame avalia conhecimentos do ensino médio e pode ser usado pelos participantes para disputar vagas em instituições de ensino superior. Mais de 5 milhões de candidatos tiveram a inscrição confirmada para esta edição.
Os cursinhos populares ampliam o acesso
O Jovem de Expressão oferece preparação gratuita para o Enem, o Programa de Avaliação Seriada da UnB e outros vestibulares há 17 anos. A unidade integra a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), formada por 1.535 cursinhos e responsável pelo atendimento de mais de 58 mil estudantes da rede pública.
A CPOP apoia iniciativas que preparam alunos sem condições de pagar cursos privados. A rede prioriza pessoas negras, indígenas, quilombolas, com deficiência e integrantes de famílias com renda de até R$ 1.621 por pessoa em 2026. O auxílio financeiro pode chegar a R$ 163,2 mil por unidade, para despesas como professores, coordenação, equipe técnica e materiais.
A diarista Márcia Regina Carvalho Damasceno Dias voltou a estudar depois de 20 anos e quer cursar nutrição. A caixa de supermercado Gilmara Pereira Braga, de 47 anos, pretende fazer psicologia e trabalhar com educação especial. “O medo foi embora quando falei com o professor que é muito bom”, disse.
O apoio também inclui R$ 200 mensais por seis meses para até 40 alunos de cada instituição selecionada. O recurso ajuda a dançarina de hip-hop Victória Santos, de 16 anos, que deixou um estágio para se dedicar à preparação e pretende cursar artes cênicas na UnB.
Créditos da imagem: © Valter Campanato/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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