Flávio Bolsonaro não entrega passaportes em 24 horas e PF apura suspeita de fuga do Brasil
A Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após ele descumprir uma determinação judicial para entregar os documentos. O episódio ocorre em meio a suspeitas de que o parlamentar tenha deixado o Brasil depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia estabelecido prazo de 24 horas para a entrega dos documentos e proibido o senador de viajar ao exterior. Na terça-feira (27), a corporação passou a apurar o paradeiro do ex-candidato à Presidência, enquanto adotava medidas em razão do descumprimento da ordem.
Argentina nega entrada do senador
A suspeita de fuga ganhou força após informações de que o parlamentar teria atravessado a fronteira com a Argentina e pretendia seguir para os Estados Unidos em um avião particular. O governo argentino, porém, negou que Flávio tenha entrado em seu território. Até o momento, não há confirmação oficial de que o senador tenha deixado o Brasil.
A ausência do parlamentar das agendas públicas provocou questionamentos entre aliados, que relataram dificuldades para entrar em contato com ele. A Polícia Federal consultou autoridades argentinas e verificou registros de saída do território brasileiro para tentar esclarecer as informações.
Antes do vencimento do prazo judicial, Flávio publicou um vídeo em que afirmou: “Nunca pensei em sair do país”. Ele também classificou a decisão de Moraes como uma tentativa de intimidação e prometeu entregar os documentos. A medida ocorreu após Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, defender que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas urnas.
Flávio Bolsonaro mantém foro até fevereiro
Apesar da derrota eleitoral, o parlamentar ainda possui foro privilegiado, pois seu mandato no Senado termina em fevereiro de 2027. A prerrogativa permite que determinadas investigações relacionadas ao exercício do cargo sejam conduzidas pelo STF. Mesmo depois do fim do mandato, alguns processos podem continuar na Corte, conforme as regras estabelecidas pelo tribunal.
Flávio é investigado em procedimentos que incluem suspeitas de lavagem de dinheiro em operações relacionadas ao advogado Willer Tomaz e possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
O senador nega ter cometido irregularidades. As investigações continuam sem uma conclusão definitiva sobre sua responsabilidade, enquanto a suspeita de saída irregular do Brasil permanece sem confirmação oficial.
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