Negacionismo impulsiona sarampo nos EUA e representa ameaça ao Brasil

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O sarampo nos Estados Unidos levou Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a avaliar que os retrocessos na política de vacinação do país representam uma ameaça para o continente. Segundo ele, o avanço da doença aumenta a pressão sobre o Brasil, que registrou 61 casos no acumulado do ano, a maioria com origem importada.

Os Estados Unidos confirmaram mais de 4,4 mil infecções no período, com três mortes. Entre os pacientes, 98% não estavam totalmente vacinados. Para Gatti, discursos contra a imunização e decisões do governo Donald Trump ajudam a explicar o aumento dos casos.

A resposta brasileira mantém cobertura

O Brasil não registra transmissão sustentada do sarampo desde 2024 e continua certificado como área livre da doença. A manutenção do status ocorre em meio à circulação do vírus em outros países e aos casos identificados no território nacional.

A cobertura da tríplice viral passou de 88% para 96% na primeira dose entre 2023 e 2024. Na segunda aplicação, subiu de 66% para 78%. As taxas preliminares deste ano são de 95% na primeira dose e 80% na segunda.

Gatti afirmou que o certificado brasileiro foi obtido em 2016 e perdido em 2019, após a reintrodução do vírus na Região Norte e a disseminação da doença, que provocou 19 mil casos em São Paulo. Segundo o diretor, a reconquista resultou de um trabalho do Ministério da Saúde com governos estaduais e municípios para melhorar a vigilância e a vacinação.

Quando há suspeita de sarampo, as autoridades sanitárias confirmam a infecção, isolam o paciente e acompanham as pessoas que tiveram contato com ele. Também realizam vacinação de bloqueio na comunidade. Essa medida busca interromper a circulação do vírus entre pessoas que não estão protegidas.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, disse que a vigilância brasileira tem respondido aos casos para evitar a transmissão, mas que a operação exige recursos. Em São Paulo, quase 4 milhões de doses extras foram aplicadas no período. No Amazonas, onde houve casos em setembro e outubro, foram quase 192 mil doses, e o total de infecções chegou a 17.

Sarampo nos Estados Unidos pressiona

Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 a quantidade de imunizantes recomendados para todas as crianças. Também determinou que a tríplice viral seja substituída por três vacinas separadas contra sarampo, caxumba e rubéola, aplicadas em momentos diferentes.

Cunha afirmou que as mudanças têm motivação política e não contam com base científica. Ele também disse que as vacinas individuais contra essas doenças não são fabricadas há quase 20 anos. Donald Trump justificou a separação com a alegação de que ela reduziria casos de autismo, embora a associação entre vacinação e transtorno do espectro autista tenha sido descartada por estudos científicos.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o continente acumula mais de 56 mil casos e pelo menos 80 mortes. Gatti declarou: “Quem se vacina não pega nem transmite.” O diretor também alertou para os impactos sobre crianças, gestantes, indígenas e pessoas em situação de pobreza.

A vacina contra o sarampo precisa alcançar 95% da população para formar uma proteção coletiva. Cunha relacionou a queda na percepção de risco ao sucesso da imunização e chamou o fenômeno de “falsa sensação de segurança”.

Créditos da imagem: © Paulo Pinto/Agencia Brasil


Com informações da Agência Brasil

Redação Extra News Goiás
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