Ministro Waldez Góes afirma que decreto de emergência viabilizou ajuda federal
© Vinícius Mendonça/Ibama
A ajuda federal ao Amazonas só pôde ser formalizada depois que o governo estadual decretou situação de emergência em 36 municípios, afirmou o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. A declaração foi dada durante entrevista coletiva à imprensa no domingo (11), em Manaus.
O reconhecimento da medida pela União ocorreu no mesmo dia, com publicação no Diário Oficial da União (DOU), segundo o ministro. A decisão permitiu mobilizar recursos, equipamentos e profissionais para atender áreas atingidas por incêndios associados ao fenômeno El Niño.
Fumaça suspendeu eventos em Manaus
A concentração de material particulado fino, conhecido como MP2,5, chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico às 6h de sábado (10), conforme dados apresentados no briefing. O índice foi classificado como “péssimo” e repetiu o nível registrado na sexta-feira (9). No início da noite, a medição caiu para 46,4 µg/m³, faixa considerada moderada.
O MP2,5 é um dos indicadores usados para medir a poluição do ar. A presença desse material pode agravar problemas respiratórios e causar irritação nos olhos e nas vias aéreas, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
A Prefeitura de Manaus suspendeu eventos ao ar livre no domingo (11) e na segunda-feira (12). A medida atingiu atividades nas Faixas Liberadas, no Parque Cidade da Criança, na Orla da Glória, no Parque Gigantes da Floresta e a Feirinha do Boi Manaus, prevista para o Sambódromo e a Avenida do Samba.
A administração municipal informou que a retomada dependerá das condições ambientais e dos indicadores acompanhados pelos órgãos técnicos. A previsão apontava possibilidade de concentração de 169 µg/m³ na madrugada de segunda-feira (12).
Ajuda federal ao Amazonas mobiliza equipes
A força-tarefa reúne ministérios, brigadistas, Forças Armadas, equipes de saúde e 11 aeronaves. Entre elas estão dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que chegaram ao estado no domingo (11), com início das operações previsto para segunda-feira (12).
Também participam o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Defesa Civil Nacional, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e o Ministério de Minas e Energia. A estrutura inclui transporte de equipes, insumos e pacientes, atendimento à população afetada pela fumaça e garantia de combustível para comunidades isoladas.
O ministro afirmou que a União realizou oficinas de preparação com autoridades estaduais e municipais há mais de 30 dias. O helicóptero que seria usado por Góes para sobrevoar áreas atingidas não saiu devido às condições meteorológicas e à visibilidade.
O Painel do Clima, mantido pelo governo amazonense, registrou 6.901 focos de queimadas entre 1º e 11 de outubro, alta de 91,38% em relação ao mesmo período do ano anterior. O sul do estado concentrou 3.485 ocorrências, e a região metropolitana de Manaus, 1.655.
Góes também respondeu ao comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, que havia dito a uma emissora de televisão que o governo federal negava ajuda. O ministro declarou: “Seria prudente que o comandante do Corpo de Bombeiros, em vez de tocar fogo, apagasse fogo”. Segundo Góes, o reconhecimento da emergência deu legitimidade para a atuação federal.
Créditos da imagem: © Vinícius Mendonça/Ibama
Com informações da Agência Brasil
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