Pesquisa da McKinsey estima que investimentos direcionados em saúde evitem 739 mil mortes até 2050
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Um estudo do McKinsey Health Institute estima que investimentos em saúde direcionados podem evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050. A projeção também aponta acréscimo de mais de R$ 1 trilhão no Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O cálculo considera cerca de 300 intervenções baseadas em evidências científicas e avaliadas como custo-efetivas. A análise inclui medidas relacionadas a 90 doenças e 27 fatores de risco, que representam 85% dos problemas de saúde mais comuns no mundo.
Investimentos em saúde priorizam prevenção
Segundo o estudo, as ações podem elevar em cinco anos a expectativa de vida no Brasil, chegando a 85 anos. O período vivido com boa saúde também passaria a 76 anos, nove anos acima da estimativa atual.
A cada dólar aplicado em medidas efetivas, a pesquisa projeta o acréscimo de US$ 2,10 ao PIB. O resultado estaria associado ao aumento da produtividade, à redução de mortes entre pessoas mais jovens e à queda dos períodos de adoecimento.
No país, 59% do impacto calculado viria de iniciativas preventivas, muitas delas realizadas fora de unidades de saúde. Entre os exemplos estão a cobrança adicional sobre cigarro, álcool e alimentos ultraprocessados, a proteção contra poluentes no trabalho, a vacinação e os exames preventivos.
O estudo também cita o controle da pressão arterial, o acompanhamento do peso, dietas, exercícios e medicamentos para emagrecer. Entre os tratamentos, aparecem o atendimento adequado a pacientes com câncer, a oferta de remédios psiquiátricos e a melhoria de equipamentos e insumos médicos.
A prevenção reúne medidas que buscam reduzir o risco antes do surgimento ou do agravamento de doenças. Já os tratamentos atuam depois do diagnóstico, com ações como cirurgias no prazo adequado e acesso a medicamentos. No levantamento, as duas frentes foram comparadas pelo impacto esperado em mortes, incapacidade e qualidade de vida.
Estudo foi apresentado na Costa Rica
O relatório foi apresentado na terça-feira (6), durante um encontro de jornalistas da América Latina promovido pela farmacêutica Roche, em San José, capital da Costa Rica. O tema do evento foi a saúde como investimento.
Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do instituto, afirmou que o aumento dos recursos precisa vir acompanhado da escolha de ações com melhor resultado pelo menor custo. Ele disse: “É crucial olhar para as evidências científicas e garantir que elas ocupem lugar central nos espaços onde as decisões são tomadas.”
Na América Latina, os países aplicam, em média, 3,7% do PIB em saúde, contra 7,9% nos países de alta renda. Menos de 5% dos recursos da região são destinados à prevenção, embora esse tipo de medida corresponda a 61% das ações capazes de reduzir mortes prematuras e adoecimento.
A pesquisa projeta ainda queda de 46% nas perdas ligadas a doenças respiratórias crônicas e transtornos mentais até 2050. As reduções estimadas são de pelo menos 40% para doenças cardiovasculares e deficiências nutricionais, 39% para problemas relacionados ao abuso de substâncias e 35% para diabetes e doenças renais.
Créditos da imagem: © Tomaz Silva/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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