Centro da UFG receberá R$ 78 milhões para ampliar estrutura de inteligência artificial até 2031

Centro da UFG receberá R$ 78 milhões para ampliar estrutura de inteligência artificial até 2031

Um pacote de R$ 78 milhões destinado ao Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da Universidade Federal de Goiás (UFG) prevê novas estruturas para pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Do total, R$ 40 milhões serão usados na construção de um AI Data Center e de um laboratório voltado a veículos autônomos.

A expansão será feita até 2031 e ocorre em Goiânia, onde o centro mantém suas atividades. Criado em 2019, o Ceia reúne mais de mil pesquisadores, executou mais de 300 projetos e captou mais de R$ 500 milhões em projetos e parcerias, segundo a instituição. As soluções desenvolvidas foram contratadas por 94 empresas e utilizadas por mais de 152 milhões de brasileiros.

Projetos alcançam diferentes setores

O centro atua em áreas como agronegócio, saúde, educação, energia, indústria, mobilidade e serviços digitais. Uma das ferramentas criadas pela equipe faz a gestão de licitações ao identificar e acompanhar editais públicos. Em 2024, a plataforma processou cerca de 1,3 bilhão de editais e, conforme o Ceia, reduziu em 60% o tempo operacional e em 27% a necessidade de equipes dedicadas à atividade.

Na mobilidade, os pesquisadores trabalham com tecnologias de percepção e localização para veículos autônomos adaptados às condições brasileiras. Na saúde, a inteligência artificial é usada para identificar anomalias em exames de vídeo e auxiliar na detecção precoce de doenças colorretais.

O Ceia também desenvolveu uma plataforma de orçamentação para seguradoras, reguladoras e órgãos públicos. O sistema analisa imagens de veículos danificados, localiza as áreas atingidas e estima os custos de peças e mão de obra. A tecnologia recebeu o Prêmio Embrapii como a mais inovadora da indústria brasileira.

Modelos abertos orientam estratégia

Um AI Data Center é uma estrutura que reúne servidores, armazenamento e equipamentos de processamento para executar sistemas digitais. Em projetos de inteligência artificial, esse ambiente permite treinar, adaptar e operar modelos conforme a necessidade de cada aplicação.

A diretora-executiva do Ceia, Telma Woerle de Lima Soares, afirmou em entrevista ao Correio Braziliense que o país precisa associar a instalação de centros de processamento à formação profissional, à transferência de tecnologia e à criação de soluções nacionais. Ela declarou: “A verdadeira manufatura produzida por eles é a própria tecnologia”.

Em vez de treinar modelos próprios de grande escala, o centro utiliza opções de código aberto, como LLaMA, DeepSeek e Mistral, escolhidas conforme o desempenho em cada projeto. Segundo Telma, essa estratégia permite adaptações para a realidade brasileira, enquanto um modelo próprio exigiria investimentos bilionários e uma infraestrutura que não é viável no curto prazo.

O Ceia mantém estrutura própria de armazenamento e informa que adota procedimentos de segurança da informação e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A diretora também disse que muitas empresas precisam preparar seus dados e passar por transformação digital antes de aplicar inteligência artificial.

Com informações de www.correiobraziliense.com.br

Redação Extra News Goiás
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