Eleições de 2026 registram recorde de candidaturas indígenas

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Centro-Oeste registrou 27 candidaturas indígenas para as próximas eleições, conforme levantamento recente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A participação desses povos originários do Brasil se estende por 26 das 27 unidades da federação, abrangendo todos os seis biomas, incluindo o Cerrado, onde Goiás está localizado.

As 191 candidaturas indígenas no Brasil para as Eleições 2026 representam um novo recorde histórico. Esses dados foram compilados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até a última segunda-feira (17). Mesmo com o aumento, o número de postulantes indígenas equivale a menos de 1% do total de 20.506 registros de candidaturas computados pelo TSE.

Crescimento histórico da participação
Este total de candidaturas indígenas é o maior desde 2014, ano em que o tribunal eleitoral passou a exigir dos candidatos a declaração de cor e raça. O número atual supera em quase 3% as 186 candidaturas de 2022 e é aproximadamente 125% maior que as 85 registradas em 2014. A Apib interpreta esses números como uma ampliação contínua da participação política dos povos originários. Um dos coordenadores políticos da Campanha Indígena da Apib avalia, em nota, que “essa presença nasce dos territórios e amplia, com força política, nossa exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil”.

Diversidade de cargos e etnias
Entre os cargos buscados, há 99 candidaturas para deputado estadual e 75 para deputado federal, com um aumento notável de 59 para 75 deputados federais entre 2022 e 2026. Outras disputas incluem Senador (4), Governador (3), Deputado distrital (3), 1º suplente (3), vice-governador (2) e 2º suplente (2). As candidaturas representam 64 etnias diferentes, com destaque para os Macuxi, de Roraima, com 13 concorrentes, e os Guarani Kaiowá, de Mato Grosso do Sul, com 12. Os Terena também figuram entre as mais numerosas, com seis candidaturas.

O papel do TSE nas eleições
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Sua principal função é organizar, conduzir e fiscalizar todas as etapas das eleições no país, desde o registro de candidaturas até a diplomação dos eleitos. Ele também é responsável por julgar recursos e garantir a transparência do processo eleitoral.

Mulheres indígenas na política
Apesar de uma pequena redução de 85 para 84 no número de mulheres indígenas candidatas entre 2022 e 2026, elas ainda representam 44% do total de candidaturas indígenas, uma proporção bem acima da média geral de 35% de mulheres entre todos os postulantes. O número de mulheres indígenas que concorrem em eleições gerais cresceu cerca de 190% desde 2014. Alana Manchineri, da coordenação da Campanha Indígena, afirmou que “esse avanço carrega a força das mulheres que organizam as lutas nos territórios e, agora, ampliam sua presença nos espaços de decisão”. A Apib e organizações regionais apoiam 54 candidaturas, unidas pelo slogan “Nosso Território, Nossa Vida”. Alana também declarou que “esta bancada indígena é um recorte político construído a partir das indicações das organizações regionais de base da Apib, fortalecendo uma articulação que parte dos territórios”. Segundo ela, o projeto busca colocar os territórios no centro das decisões sobre o futuro do Brasil, incentivando os candidatos indígenas a incorporar as propostas do movimento em suas campanhas.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-08/eleicoes-de-2026-registram-recorde-de-candidaturas-indigenas

Redação Extra News Goiás
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